sábado, 18 de junho de 2011

A Cultura Islâmica

Os árabes assimilaram diversos elementos culturais dos povos vencidos, convertidos ao islamismo por força das batalhas, tais como persas, sírios, bizantinos do Egito, muito embora mantivessem uma unidade linguística, através da qual era possível ler o Livro Sagrado.

Tolerantes, disseminaram os pensamentos dos filósofos gregos, que devido ao paganismo a eles associado pelo cristianismo primitivo, eram ignorado na Europa nos séculos anteriores á invasão árabe.

Quando os Cristão tomaram a Cidade de Toledo, encontraram inúmeras traduções de Aristóteles a quem dedicavam especial apreço, e as disseminaram pela Europa. A ssim, foi através das traduções árabes que o mundo europeu tomou conhecimento dos fundamentos filosóficos gregos, cuja influência bastou para desenvolver o gosto pela filosofia.

AL Kindi, foi o primeiro grande filósofo árabe, no século nove, considerando-se neoplatônico.

Ibn Sina, mais conhecido como Avicena, introduziu no século dez a indução na filosofia e realizou estudos de psicologia que vieram a influeinciar Santo Tomas e Albert Magnus.

Ibn Rush, transmitiu no século doze as idéias aristotélicas ao mundo ocidental europeu, através da aceitação da doutrina da dupla verdade religiosa e espiritual.

Quanto à literatura, em especial a poesia, era amplamente cultivada pelos árabes. Seu mais célebre escritor foi Omar Khayam, que também era exímio conhecedor de álgebra.

Igualmente popular, até nossos dias, é o livro das Mil e Uma Noites, escrito na época do califa Harun AL-Rachid, como um apanhado de contos diversos, tais como Sinbad, O Marujo, Aladin e a Lâmpada Maravilhosa, Ali Babá e os quarenta Ladrões, apenas para citar os mais conhecidos.

Os árabes também empenharam-se nos estudos da trigonometria, bem como outras ciências como a Medicina, a Química, a Astronomia, a Otica. Entretanto, sua ciência estava submetido ao ensino da religião islâmica, não podendo desenvolver-se livremente. Desta forma, buscaram o fantástico por meio de pesquisas cientificas, tal como desenvolver a pedra filosofal através da química ou traçar o destino humano através dos astros.

Os numerais, por nós conhecidos como algarismos arábicos, tiveram provavelmente origem hindu, mas foram por eles desenvolvidos.

Bons navegadores , Utilizaram-se da bússula chinesa, desenvolveram o astrolábio e foram grandes geógrafos.

Através de seu comércio, fizeram a ligação do Oriente com a Europa por via marítima e por meio de suas caravanas, trocando mercadorias diversas, tais como tecidos, especiarias, escravos, porcelanas , entre outros.

Trouxeram do Egito as técnicas de irrigação e as empregaram na Espanha, tornando-se bons agricultores.

Foi na arquitetura , No entanto, que se verificou a maior expressão artística e o grande legado árabe, já que em outras formas de arte, tal como a pintura, viram-se restritos pela proibição do Alcorão em representar figuras humanas e de animais. Esmeraram-se, porém, nas figuras geométricas, cohecidas como arabescos.

A Divisão do Império Árabe

No ano de 750 chegou ao fim a dinastia Omíada com o assassinato de seu último califa, e inúmeros familiares, por seus opositores abássidas, que fundaram uma nova dinastia e fundaram a capital Bagdad. Um dos membros da família da antiga dinastia, conseguiu refugiar-se na Espanha, tornando-se líder político e estabelecendo sua capital em Córdoba.

Deste modo, o Império árabe dividiu-se, tendo sua unidade política repartida, cujas influencias nos campos sociais, político e econômico fizeram-se sentir. Tais divergencias ampliaram-se de tal forma que diversas outras dinastiais e capitais foram criadas no século dezesseis.

Tendo conhecido a glória e alcançado todo seu esplendor no final do século oitavo, quando inúmeras obras literárias tais como o livro das Mil e Uma Noite, foram criadas, no ano de 1053, o califado de Bagdad foi conquistado pelos turcos selúcidas, originários do Turquestão.

Em principio mercenários, esses turcos converteram-se ao islamismo e promoveram uma série de guerras no Oriente Proximo, tornando-se uma verdadeira ameaça para a Cristandade e originando a reação conhecida como As Cruzadas.

Com a tomada de Bagdad pelos mongóis em 1258, chegou ao fim a dinastia selúcida.

No que diz respeito ao califado Omíada que havia se estabelecido em Córdoba, esta tornou-se uma importante cidade, chegando a alcançar 500.000 habitantes , completamente independente em relação aos muçulmanos do oriente . Manteve relações com o Império Bizantino e com o Império Romano –Germânico, extinguindo-se no ano de 1031, com a deposição do último califa, quando dividiu-se em pequenos reinos denominados Taifas.

Sevilha, Valença, Granada, Saragoça, Badajoz, Málaga e Almeria foram importantes reinos, no entanto, tal divisão favoreceu a Reconquista Cristã, através de inúmeras batalhas travadas entre cristãos e muçulmanos. Acabaram totalmente subjugados pelo reino de Aragão e Castela, no século quinze, após a tomada de Granada, última fortaleza muçulmana a cair, em 1492.

A expansão do Islã

Maomé não deixou descendentes homens, portanto foi Abu Bekr, seu sogro quem governou,como califa(substituto) após sua morte, como chefe religioso, militar e político, prosseguindo com a expansão de seus ensinamentos em direção ao norte.


No ano de 634, Omar assumiu e poder e iniciou a primeira fase da expansão islâmica, conquistando, por meio de sangrentas batalhas ,a Palestina, a Siria, Damasco, Jerusalém, Antioquia, além da planície a oeste do Rio Tigre e a MesopoTamia .Chegou em Alexandria e continuou até Cirenaica. Em todos os territórios ocupados fundou bases militares e estabeleceu famílias, no intuito de preservar os ensinamentos sagrados e a pureza da raça.

Em 644, assumiu Otmã e continuou uma segunda fase dessa expansão, embora com menor ímpeto, até o norte da África, tomando o Egito, chegando até às proximidades da Península Itálica. Na Ásia menor, conquistou a Ilha de Chipre.

Em 656, assumiu Ali, neto do profeta Maomé, cujo califado foi bastante conturbado devido a divergências internas, que culminaram num cisma islâmico (chiismo).

Após o califado de Ali, os demais governantes são opositores de seu governo, oriundo da dinastia dos Omíadas, fundada pelo governador da Síria. Tal dinastia, reinou de 661 a 750, teve como capital Damasco e inseriu transformações radicais no legado de Maomé, transformando monarquia de cunho sacerdotal e patriarcal em monarquia leiga e nacional, de tal forma que tornou-se centralizada e hereditária.

Desta forma, a expansão Islâmica alcançou pontos extremos, desde o Rio Indo até a Espanha, cruzando o Gibraltar em 711, sob o domínio de Tarik, que derrotou os visigodos e cruzou os Pinineus . Foi derrotado por Carlos Martelo na batalha de Poitiers, em 732, ao tentar dominar o reino dos francos. Tal vitória foi decisiva para conter o avanço dos árabes sobre os domínios cristãos a oeste. Já a leste , o islamismo também foi contido, na Asia Menor pelo Imperador Leão lll, muito embora tenha havido grandes perdas territoriais para o Império Bizantino, com a expansão Omíada.

As campanhas militares levaram a religião muçulmana por uma enorme extensão territorial, que ia desde a Asia até a Europa Ocidental. Muito embora não tenham conseguido dobrar a resistência Bizantina no mar, devido à superioridade da marinha de Constantinopla, os árabes conseguiram o controle das rotas comerciais para a India e a Ásia Central, com a conquista do Império Aquemênida (Pérsia). Conseguiram, portanto, a hegemonia econômica no mediterrâneo.

O surgimento do Islã

Nos primórdios das civilizações, na grande península situada entre O Mar Vermelho, o Oceano Indico e o Golfo Pérsico, viviam tribos de origem semita, que se dedicavam ao pastoreio, à agricultura e ao comércio. Tais tribos eram independentes e estabelecidas sobre pilares familiares.


Eram politeístas e tinham como centro religioso comum a cidade de Meca, onde havia uma pedra negra, caída do céu, provavelmente um meteorito, digno de veneração, guardado na Kaaba, o santuário local.

O islamimo surgiu na região arábica, atual Arábia Saudita, no ano de 622, tendo no profeta Maomé , descendente direto de Abraão, seu fundador.

Acreditando no monoteísmo, lutou para converter a Arábia à sua fé, agindo como um líder espiritual e político. Maomé entendeu que a unificação religiosa era necessária para fortalecer os laços entre as tribos.

Meca, além de centro de peregrinação para a adoração da Caaba, era um importante entreposto comercial entre a Arábia e terras ocidentais tais como India e China.

No ano de 622, ainda no início da formação do Corão, Maomé e um pequeno grupo de seguidores foram perseguidos por grupos rivais, comerciantes, por defender os interesses de uma parcela da população menos favorecida, sendo obrigados a deixar a cidade de Meca rumo a Medina (Iatreb).

A migração, até hoje venerada e conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano.

Em Iatreb, a palavra de Deus revelada ao profeta Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado, sendo que nos dez anos que separam sua fuga e sua morte em 632, Maomé converteu a maioria das tribos árabes, muitas vezes usando a força dos exércitos que formara, impondo aos convertidos, inúmera leis cívicas e morais, reunidas no livro sagrado denominado Alcorão ( O Discurso), que prometia aos bons fiéis o paraíso de Alá.

Na ocasião da morte de Maomé, a maior parte da Arábia já era muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China.

Na virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3 bilhão de adeptos.


As fontes que utilizei para a pesquisa deste e dos próximos posts que tratarão do mesmo assunto, divulgo, de antemão, aqui:

História Geral do Ocidente, Antonio Luiz Porto e Albuquerque.-Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1985. 294p.:Il.

Novo Manual Nova Cultural, 1993 Editora Nova Cultural Ltda.-São Paulo-Brasil.

Além de busca nos sites:
http://www.islam.org.br/
veja.abril.com.br-idade-exclusivo-islamismo-contexto_analise.html

Islã/ Islamismo

Em árabe, Islã é uma palavra que significa submissão ou rendição, no caso, do muçulmano para com seu Deus, denominado Alá ou Allah. Também tem ligação com a palavra Salam, que significa paz.


Seria correto, portanto, afirmar que o Islã não é uma religião, mas o conjunto de povos de civilização islâmica que professam tal religião.

Quando usamos o termo islamismo, estamos nos referindo a religião fundada no início do século sete pelo profeta Maomé. O seguidor do islamismo seria o muçulmano, ou islamita.

Para conhecer o Islamismo

Alguns e-mails que tenho recebido, talvez motivados pela atual questão do Oriente Médio, me deixaram um pouco apreensiva. Isto porque são altamente preconceituosos, e demonstram uma total falta de informação a respeito da religião alheia. Muitos temerosos de que a grande quantidade de imigrantes desta religião acabem por promover a balbúrdia e uma verdadeira revolução de costumes e da ordem social nos países que os acolhem. Acusam o Islã de tentar, através da religião, arquitetar uma tomada do poder, deliberadamente, a nível mundial.
Tais previsões estariam corretas? Antes de julgar, deveríamos tentar voltar nossos olhos para o passado, pois apenas através de um pouco mais de estudo, encurtaremos o caminho para romper esses laços de distanciamento, como se o que hoje ocorre no mundo, não fosse da nossa conta, uma vez que não acontece na nossa porta.
Para formar nosso próprio juízo de valor,  proponho uma viagem juntos ao passado, para conhecer melhor as origens dessa religião, despidos de qualquer julgamento, pois como já coloquei anteriormente aqui, todas as religiões que promovem o amor e a paz, levam à Deus.
Devemos estar atentos, no entanto, às suas deformações, às suas más interpretações, que muitas vezes servem apenas como instrumentos de domínio político. Mas que devem ser diferenciadas de sua verdadeira essência.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Stranger In Paradise

Minha contribuição para o dia dos namorados: esta canção que também fez parte da trilha sonora de O Fantasma da Ópera!

Take my hand
I'm a stranger in paradise
All lost in a wonderland
A stranger in paradise
If I stand starry-eyed
That's the danger in paradise
For mortals who stand beside an angel like you

I saw your face and I ascended
Out of the commonplace into the rare
Somewhere in space I hang suspended
Until I know there's a chance that you care

Won't you answer this fervent prayer
Of a stranger in paradise?
Don't send me in dark despair
>From all that I hunger for

But open your angel's arms
To this stranger in paradise
And tell him that he need be
A stranger no more




-from the musical "Kismet"-based on Borodin's "Polovtsian Dances"
-Words and Music by Robert Wright and George Forrest


domingo, 5 de junho de 2011

I MUSICI VENEZIANI



Para fechar com chave do ouro nossa estadia na cidade de Roma, eu e minha mãe resolvemos assistir à Opera Concerto apresentada pela orquestra e cantores I Musici Veneziani, trajados à moda do século XVIII. A Apresentacão foi na belíssima Chiesa Di San Paolo Entro Le Mura, que fica na Via Nazionale, 16 A.
Desfrutamos de árias de algumas obras de Mozart (Don Giovanni), Rossini (Il Barbieri di Siviglia), Bizet (Carmen), Puccini (Tosca) e Verdi (Nabucco).



E a Igreja foi uma atração à parte, com seus belos mosaicos dourados de clara inspiração bizantina.
Para quem estava voltando de uma viagem à antiga cidade de Constantinopla, foi perfeito!

Assistam e compartilhem também um pouco dessa beleza:

Venus Victrix (1805-1808)



Essa escultura, que representa Pauline, a irmã de Napoleão Bonaparte, no auge de seus 25 anos, ainda envolta pelo esplendor imperial de seu irmão, acabou tornando-se o cartão de apresentação da Galleria Borghese em Roma.

A escultura foi encomendada por seu noivo, Camillo Borghese, em um casamento arranjado que pretendia fortalecer os laços entre a França e o Estado Papal. No entanto, o casamento faliu antes mesmo da obra ser concluída.
O autor da obra, Canova, representou como personagens mitológicos diversos outros familiares do imperador.

Nestra obra, especificamente, Pauline representa Vênus, a vencedora, que segura em sua mão esquerda, o pomo de ouro que recebeu de Paris, após a famosa disputa entre deusas que já tratei anteriormente aqui no blog (ver: A Mitologia por detrás da história).
Parcialmente nua, reclinada em uma chaise, repousa seu braço direito em uma pilha de colchões, exibindo um único ornamento: um delicado bracelete.


Concebida para ser alvo de admirações, a escultura recebeu em 1812, um mecanismo que permitia sua rotação, para ser apreciada dos mais diversos ângulos. A perfeição dos detalhes são a prova do sublime talento de Canova, o que não livrou Pauline do escândalo da corte.
Detalhes da obra:
A escultura foi toda feita de um único bloco de mármore Carrara. Já a chaise longue em que ela se reclina, é feita de madeira pintada de azul e branco.
O dourado das rosetas, folhas e do golfinho, que adornam a chaise, são provenientes de folhas de ouro. A coroa de louros é um típico símbolo da era napoleônica, enquanto que o golfinho faz referencia à deusa Vênus.

Fonte Bibliográfica:
Galleria Borghese 10 Masterpieces.
2009, Gebart S.p.A, Roma.

Gian Lorenzo Bernini




Abalada com a crise da Reforma, a expressão do barroco buscou restaurar o antigo esplendor da Igreja Católica Romana. Colunas adornadas, esculturas e pinturas triunfantes, que retratavam temas bíblicos com a devida dramaticidade.
Um de seus representantes, no século 17, foi o talentoso escultor Gian Lorenzo Bernini, que também se destacou como arquiteto e pintor. Nascido em Nápoles, em 1598, filho de um renomado escultor, cedo apresentou aptidões para as artes e foi introduzido por seu pai aos principais mecenas da época.
No início, copiava os modelos que via pelos corredores do vaticano ou inspirava-se em Michelangelo, mas com o amadurecimento, acabou por desenvolver um estilo próprio, muito embora, muitas vezes, dizia ter inspirado a temática de sua escultura em alguma obra de Rubens.
Acabou tornando-se o principal representante do barroco italiano, tendo em seu currículo obras grandiosas,tais como a Praça de São Pedro, o Castelo de San Angel e o Baldaquim do trono de Pedro, no Vaticano.

O baldaquim:


A Praça de São Pedro no Vaticano:


Além de inúmeras outras obras, também são de sua autoria três fontes, dentre as várias que adornam a cidade de Roma: a Fonte da Barca, dos Três Rios e do Tritão.
Divido com os leitores uma foto da primeira: