A obra mais famosa de Euclides da Cunha, Os Sertões, que trata da Guerra de Canudos, é na verdade, formado por três livros: A Terra, O Homem, A Luta.
Seu autor era republicano, abolicionista, cursou engenharia e freqüentou a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Educado no pensamento positivista, tendo Benjamim Constant como mestre, discípulo da filosofia de Auguste Comte, influenciado pelos ensinamentos de Darwin em “A Evolução das Espécies”, elabora sua obra acatando não só o pensamento linear evolucionista em voga na Europa nos fins do século dezenove, como também os preceitos morais a respeito das raças, onde atribui ao mestiço a alcunha de desequilibrado, raça inferior e considera a mistura de raças diversas, prejudicial. Talvez por isso, seja considerado por alguns literatos como uma obra datada, fruto de uma realidade que só existiu num determinado momento histórico.
Seu sertanejo é dicotômico. Segundo Alfredo Bosi, responsável pela apresentação da obra, considera que seus personagens são por um lado valente, por outro supersticioso. Se é generoso, é fanático. Entre outras comparações, que acabam por formar a base para o entendimento do que ocorreu em Canudos, busca compreender o que se passa no pensamento do homem sertanejo, compreender seu messianismo, suas crenças, analisar seus aspectos psicológicos, mas sempre de acordo com a ideologia vigente de seu tempo, o que confere á obra um cunho didático, principalmente ao tentar explicar a dureza do homem sertanejo em paralelo com a descrição do ambiente árido em que vive e que acaba por moldar-lhe o caráter.
Por isso, seu livro é dividido em três partes. O autor vincula sua compreensão ao entendimento de sua infra-estrutura geológica, que relata com os pormenores de um cartógrafo, passando pelos acidentes do solo, variações climáticas e finalmente a flora e fauna. Como último elo, nos apresenta seu rude homem. Só então, o autor considera-nos apto à leitura da última parte, que trata exclusivamente da Guerra de Canudos.
Trata-se, ainda, de uma obra de cunho histórico, pois seu autor esteve lá, presente no palco dos acontecimentos, como jornalista, até o dia da rendição. As narrativas, portanto, são verdadeiros relatos do massacre que ocorreu.
“(...) As infelizes, em andrajos, camisas entre cujas tiras esfiapadas se repastavam olhares insaciáveis, entraram pelo largo, mal conduzindo pelo braço os filhos pequeninos, arrastados”.
Eram como animais raros num divertimento da feira.
Em volta cruzavam-se, em todos os tons, comentários de toda a sorte, num burburinho de vozes golpeadas de interjeições vivíssimas de espanto. O agrupamento miserando foi por algum tempo um derivativo, uma variante feliz aligeirando as horas enfadonhas do acampamento.
Mas acirrou a curiosidade geral, sem abalar os corações.
Um dos pequenos -franzino e cambaleante- trazia à cabeça ,ocultando-a inteiramente porque descia até aos ombros, um velho quepe reúno apanhado no caminho. O quepe, largo e grande demais, oscilava grotescamente a cada passo, sobre o busto esmirrado que ele encobria por um terço. E alguns espectadores tiveram a coragem singular de rir. A criança alçou o rosto, procurando vê-los. Os risos extinguiram-se: a boca era uma chaga aberta de lado a lado por um tiro!”
Observa-se no último capítulo, denominado “Últimos Dias”, a expressão de espanto de Euclides da Cunha, diante daquilo que ele mesmo considerou um erro histórico, uma barbárie. Ele, que lá estava como militar, correspondente de guerra, repórter, encontrou uma realidade muito diferente daquela que se lia nos jornais, na parte “civilizada” do país.
Primeiro porque se deu conta de que o inimigo não possuía condições intelectuais para opor-se á república, nem ser dela a favor. Sua condição miserável estava fadada apenas á sobrevivência diária.
Embrutecido pelas condições impostas por seu ambiente, o inimigo não defendia causas políticas e sim de caráter religioso, uma vez que Antônio Conselheiro não passava de um líder messiânico. Tal revelação foi para o autor, um verdadeiro divisor de águas em sua forma de compreender a sociedade em que vivia, uma vez que compartilhava da idéia de “uma canudos monarquista articulada com políticos reacionários ou com os revoltosos da Marinha.”
Finalmente, ao descrever, de forma comovente e magistral seus relatos, de uma Canudos que não se rendeu, que foi segundo o próprio autor, um exemplo único em toda a História, não esconde sua vergonha diante dos vencidos.
Euclides da Cunha consegue, com esta obra, sedimentar na sociedade brasileira, cuja idéia de civilidade vai beber em fontes e exemplos importados da Europa, a idéia de uma realidade brasileira distinta, com a figura do sertanejo embrutecido, forte, sobrevivente. mostra ao povo brasileiro uma de suas muitas faces, que se pretendiam ocultas.
Márcia Taube
Depois de cumpridas suas obrigações pessoais, para com a sociedade, a família e sabe-se lá mais com o quê, chega a hora do dia (ou da madrugada) em que sua sala lhe pertence, no mais absoluto silêncio. Nessa hora, em determinada poltrona, abre-se um livro e...
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Os Sertões- Euclides da Cunha
A obra mais famosa de Euclides da Cunha, Os Sertões, que trata da Guerra de Canudos, é na verdade, formado por três livros: A Terra, O Homem, A Luta.
Seu autor era republicano, abolicionista, cursou engenharia e freqüentou a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Educado no pensamento positivista, tendo Benjamim Constant como mestre, discípulo da filosofia de Auguste Comte, influenciado pelos ensinamentos de Darwin em “A Evolução das Espécies”, elabora sua obra acatando não só o pensamento linear evolucionista em voga na Europa nos fins do século dezenove, como também os preceitos morais a respeito das raças, onde atribui ao mestiço a alcunha de desequilibrado, raça inferior e considera a mistura de raças diversas, prejudicial. Talvez por isso, seja considerado por alguns literatos como uma obra datada, fruto de uma realidade que só existiu num determinado momento histórico.
Seu sertanejo é dicotômico. Segundo Alfredo Bosi, responsável pela apresentação da obra, considera que seus personagens são por um lado valente, por outro supersticioso. Se é generoso, é fanático. Entre outras comparações, que acabam por formar a base para o entendimento do que ocorreu em Canudos, busca compreender o que se passa no pensamento do homem sertanejo, compreender seu messianismo, suas crenças, analisar seus aspectos psicológicos, mas sempre de acordo com a ideologia vigente de seu tempo, o que confere á obra um cunho didático, principalmente ao tentar explicar a dureza do homem sertanejo em paralelo com a descrição do ambiente árido em que vive e que acaba por moldar-lhe o caráter.
Por isso, seu livro é dividido em três partes. O autor vincula sua compreensão ao entendimento de sua infra-estrutura geológica, que relata com os pormenores de um cartógrafo, passando pelos acidentes do solo, variações climáticas e finalmente a flora e fauna. Como último elo, nos apresenta seu rude homem. Só então, o autor considera-nos apto à leitura da última parte, que trata exclusivamente da Guerra de Canudos.
Trata-se, ainda, de uma obra de cunho histórico, pois seu autor esteve lá, presente no palco dos acontecimentos, como jornalista, até o dia da rendição. As narrativas, portanto, são verdadeiros relatos do massacre que ocorreu.
“(...) As infelizes, em andrajos, camisas entre cujas tiras esfiapadas se repastavam olhares insaciáveis, entraram pelo largo, mal conduzindo pelo braço os filhos pequeninos, arrastados”.
Eram como animais raros num divertimento da feira.
Em volta cruzavam-se, em todos os tons, comentários de toda a sorte, num burburinho de vozes golpeadas de interjeições vivíssimas de espanto. O agrupamento miserando foi por algum tempo um derivativo, uma variante feliz aligeirando as horas enfadonhas do acampamento.
Mas acirrou a curiosidade geral, sem abalar os corações.
Um dos pequenos -franzino e cambaleante- trazia à cabeça ,ocultando-a inteiramente porque descia até aos ombros, um velho quepe reúno apanhado no caminho. O quepe, largo e grande demais, oscilava grotescamente a cada passo, sobre o busto esmirrado que ele encobria por um terço. E alguns espectadores tiveram a coragem singular de rir. A criança alçou o rosto, procurando vê-los. Os risos extinguiram-se: a boca era uma chaga aberta de lado a lado por um tiro!”
Observa-se no último capítulo, denominado “Últimos Dias”, a expressão de espanto de Euclides da Cunha, diante daquilo que ele mesmo considerou um erro histórico, uma barbárie. Ele, que lá estava como militar, correspondente de guerra, repórter, encontrou uma realidade muito diferente daquela que se lia nos jornais, na parte “civilizada” do país.
Primeiro porque se deu conta de que o inimigo não possuía condições intelectuais para opor-se á república, nem ser dela a favor. Sua condição miserável estava fadada apenas á sobrevivência diária.
Embrutecido pelas condições impostas por seu ambiente, o inimigo não defendia causas políticas e sim de caráter religioso, uma vez que Antônio Conselheiro não passava de um líder messiânico. Tal revelação foi para o autor, um verdadeiro divisor de águas em sua forma de compreender a sociedade em que vivia, uma vez que compartilhava da idéia de “uma canudos monarquista articulada com políticos reacionários ou com os revoltosos da Marinha.”
Finalmente, ao descrever, de forma comovente e magistral seus relatos, de uma Canudos que não se rendeu, que foi segundo o próprio autor, um exemplo único em toda a História, não esconde sua vergonha diante dos vencidos.
Euclides da Cunha consegue, com esta obra, sedimentar na sociedade brasileira, cuja idéia de civilidade vai beber em fontes e exemplos importados da Europa, a idéia de uma realidade brasileira distinta, com a figura do sertanejo embrutecido, forte, sobrevivente. mostra ao povo brasileiro uma de suas muitas faces, que se pretendiam ocultas.
Márcia Taube
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Puedo escribir los versos más tristes esta noche
A Noite Estrelada sobre o Rio Reno (Vincent Van Gogh).
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo:”La noche está estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.
El viento de La noche gira em el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo La quise, y a veces ella tambiém me quiso.
Em las noches como esta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la queria.
Cómo no Haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocio.
Qué importa que mi amor no pudiera guadarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canto. A lo lejos.
Mi alma no se contenta com haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada La busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no La quiero, eS cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De outro. Será de outro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y tan largo el olvido.
Porque em noches como esta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta com habela perdido.
Aunque este sea el último dolor que ella me causa,
Y estos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda, Santiago, 24-11-1923
Bistrôs Paris- Alex Herzog
Chegou pelo sedex minha encomenda tão esperada: o livro de Alex Herzog “Bistrôs Paris-onde comer bem, bacana e barato”.
O autor é formado em administracão, mas tem como hobbie a fotografia e as influências culinárias herdadas da avó belga. Em dado momento da vida, largou um ótimo emprego e partiu para Nova York, para estudar fotografia , além de contribuir com fotos e artigos para uma coluna de gastronomia de um jornal local. Que coragem!
Na volta ao Brasil, abriu uma escola de culinária e montou o IN-HOUSE Café-Bistrô, no Rio Design Barra. Deu super certo e agora lança seu livro, que já li em um piscar de olhos, pois é leve, divertido e cheio de dicas legais.
Dividido por Arrondissements, que são os correspondentes aos bairros parisienses, ele enumera os locaizinhos que valem a pena conhecer. Os bons bistrôs ou brasseries, onde a comida honesta a preços idem, são referenciados. Todo mundo que viaja para lá sabe que sempre existe a possibilidade de cair no golpe dos restaurantes típicos, só para enganar turistas desavisados, ou então de levar um susto ao se deparar com a conta, em um local que não tem estrela michelin alguma.
De quebra, ele fotografa, conta as histórias dos estabelecimentos, e ainda dá dicas de passeios pelos arredores e de filmes em que os locais aparecem ou inspiram!
Influenciada por Herzog, me dá uma vontade louca de também chutar o pau-da-barraca, ir para lá sem avisar o paradeiro, me enfiar no La Coupole e pedir um choucroute spéciale, só voltando ao trabalho depois de nove dias.
Salute!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
A Lenda do El Dorado
Esta foto eu tirei do acervo do Museu do Ouro, em Bogotá. Ouvi dizer que é a peca mais valiosa do museu, uma vez que retrata com riqueza de detalhes a cerimônia muísca (tribo indígena colombiana) da coroacão do imperador, que acabou por gerar a cobica dos espanhóis, que ouviram falar desse jovem coberto de ouro em pó, que subia a bordo de uma jangada com seus sacerdotes, todos igualmente cobertos de ouro, e jogavam ao rio mais ouro e esmeraldas, antes de mergulhar e sair purificado, na margem, deixando ao rio, as oferendas preciosas.
Tal relato gerou a lenda do El Dorado, que se espalhou por diversos locais da América do Sul e provocou a vinda de hordas de exploradores, atrás das famosas minas e cidades cobertas de ouro, que na verdade, não existiam.
Os muíscas provavelmente obtinham esse ouro através de trocas, com os povos andinos. Seu uso era meramente cerimonial. Não possuía valor comercial alto, já que pela altitude elevada, os objetos mais cobicados eram as conchas marinhas.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O Amor nos Tempos do Cólera
"Florentino Ariza estremeceu: com efeito, e ela própria dissera, tinha o cheiro azedo da idade. No entanto, enquanto andava para seu camarote, abrindo caminho entre o labirinto de redes adormecidas, consolava-se com a idéia de que ele devia ter o mesmo cheiro, só que quatro anos mais velho, e que ela sem súvida o sentira com a mesma emocão. Era o cheiro dos fermentos humanos, que ele perebera nas amantes mais antigas, e que elas tnham sentido nele. A viúva de Nazareth, que não guardava nada para si, tinha dito a ele de modo mais cru:"Já temos cheiro de urubú." Cada um suportava o cheiro do outro, porque estavam à mão: meu cheiro contra o seu. Em compensacão, muitas vezes pensava no caso de América Vicuña, cujo cheiro de fraldas descartáveis despertava nele os instintos maternais, enquanto o inqietava a idéia de que ela não pudesse aguentar o seu: seu cheiro de velho verde."
Nessa já consagrada obra, o autor nos relata a espera de cinquenta e três anos, sete meses e onze dias para a concretizacão dessa estória de amor comovente. Enquanto viaja pela beleza das primeiras descobertas, do amor á primeira vista, constrói seus personagens com uma humanidade desconcertante. Revolve seus pensamentos mais secretos, deixando-os desamparados. Mostra a fragilidade da vida, dos percalcos do envelhecer, mas sempre com uma mensagem de esperanca para o amor. Surpreende o leitor, na percepcão de que os sentimentos não acompanham a decrepitude física de seus personagens.
Passada em Cartagena,deixa rastros pela rua das janelas, portais e pracas,que recentemente conheci. Relendo a obra de Garcia Marques, aos poucos vou assentando todas as lembrancas, como quem se despede, aos poucos, de um amigo muito querido.
Infelizmente, o filme não lhe faz juz. Apesar de Javier Barden e da fabulosa Fernanda Montenegro, ficou muito longe da essência dos escritos. Para quem quiser conferir, o trailer:
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
A Impressionante passagem dos anos
Subitamente me dei conta de que os anos passam arrastados no início de nossas vidas e do meio para o fim, eles voam. Minha infância parece ter durado décadas. Lembro-me de mim mesma, ainda no berco, embora muitos possam duvidar, asseguro-lhes que é verdade. Lembro de mim ainda no andador. Lembro das botinas ortopédicas. Quando descrevo para meus pais meu primeiro quarto, o cadeirote de comer,minhas roupinhas de cama e velhos brinquedos, ficam boquiabertos. Fatos, lembro detalhadamente de fatos, cheiros, histórias da primeira infancia.As horas se arrastavam então.
Passei, em seguida, uma vida inteira no Colégio. Construí a metade de minha vida entre as freiras e os ladrilhos hidráulicos dos pátios e jardins internos. Fora das atividades escolares, eu me resumia a esperar pelo outro dia.
A juventude durou menos que as etapas anteriores, quando percebi, já estava cara a cara com o mundo. Não podia me acovardar e fui ter com ele, mais de perto. Casei, mudei e convidei os amigos.
Dois anos depois eu já era velha.
Eu sei que ninguém acredita, mas a verdade é que envelheci muito mais rápido que a maioria das pessoas que conheco, pois nunca completei, por exemplo, 30 anos. Fui dos 20 aos 40 direto e tenho como provar.
Meu pai veio me visitar e foi embora hoje. Percebi que esse fato é hereditário. É bem verdade que a última vez que nos vimos,no ano passado, ele estava com um problema de saúde, mas ainda era relativamente jovem, aos setenta anos. Quase não o reconheci. Falava feito uma pessoa muito idosa, andava com dificuldade e tinha a aparência de sua real idade.
Penso que para algumas pessoas, os anos passam de dez em dez, da metade vivida para cá. É o que está se passando agora, conosco.Cada vez que nos revemos, receio não termos nos despedido adequadamente.
Márcia Taube.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Gabriel García Márquez (Cien años de soledad)
"O Coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e duas revolucões armadas e perdeu todas. Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um por um, numa só noite, antes que o mais velho completasse trinta e cinco anos. Escapou de quatorze atentados, setenta e três emboscadas, e um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma dose de estricnina no café que daria para matar um cavalo. Recusou a Ordem do Mérito que lhe outorgou o Presidente da República. Chegou a ser comandante geral das forcas revolucionárias, com jurisdicão e mando de uma fronteira a outra, e o homem mais temido pelo governo, mas nunca permitiu que lhe tirassem uma fotografia. Dispensou a pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de ouro que fabricava na sua oficina de Macondo. Embora lutasse sempre à frente de seus homens,a única ferida que recebeu foi produzida por ele mesmo, depois de assinar a capitulacao da Neerlandia, que pos fim a quase vinte anos de guerras civis. Desfechou um tiro de pistola no peito e o projétil saiu-lhes pelas costas sem ofender nenhum centro vital. A única coisa que ficou de tudo isso foi uma rua com o seu nome em Macondo."
Trecho extraído do Livro Cem Anos de Solidão, que narra a saga dos Buendía, recheada das histórias ouvidas na infância, por seu autor. Macondo, a cidade fictícia, fantasma, solitária. Habitada por geracões de Buendías e suas incríveis narrativas.
Apesar de ter ganho o Nobel com esta obra, Garcia Marques não a tinha como sua favorita. Acreditava que O Outono do Patriarca era sua obra prima, que por sinal, ainda não li.
Uma curiosidade: a tradutora, Eliane Zagury, é casada com meu primo Roberto.
Só hoje reparei seu nome na capa do livro, e fiquei bem orgulhosa! Valeu, Eliane!
Los Sapatos Viejos- Luis Carlos Lopez
Colombia, 1879
Los zapatos viejos
Noble rincón de mis abuelos: nada
como evocar, cruzando callejuelas,
los tiempos de la cruz y la espada,
del ahumado candil y las pajuelas...
Pues ya pasó, ciudad amurallada,
tu edad de folletín... Las carabelas
se fueron para siempre de tu rada...
¡Ya no viene el aceite en botijuelas!
Fuiste heroica en los tiempos coloniales,
cuando tus hijos, águilas caudales,
no eran una caterva de vencejos.
Mas hoy, plena de rancio desaliño,
bien puedes inspirar ese cariño
que uno le tiene a sus zapatos viejos...
(Luis Carlos Bernabé del Monte Carmelo López)
terça-feira, 7 de setembro de 2010
FONSECA ENREDAME VIDEOCLIP
FONSECA Enredame
Carregado por psyque. - Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais. Me desenredas el alma y toda mi vida Me desenredas el tiempo todos los días Pero me encanta enredarme todas las noches contigo Y si estoy loco vas a vivir en un manicomio conmigo Por andarte adorando siempre me enredo Me la paso encontrándote entre mis sueños Y voy buscando el momento para quererte con tiempo Corazón mío como te quiero y como te llevo por dentro Y enrédame de amor mi vida Y hazme un nudo ciego Y entrégame tus pesadillas Q yo t doy mis sueños Y enrédame de amor mi vida Dejemos tanto enredo Y enrédame en tus besos Q yo a tu lado en todo me enredo Con mis ojos cerrados te doy un beso Ay a veces no se si yo te merezco Pero me encanta enredarme Todas las noches contigo Y si estoy loco vas a vivir en un manicomio conmigo Y enrédame de amor mi vida Y hazme un nudo ciego Y entrégame tus pesadillas Q yo t doy mis sueños Y enrédame de amor mi vida Dejemos tanto enredo Y enrédame en tus besos Q yo a tu lado en todo me enredo Y enrédame algo entre los huesos Pa’ no olvidarte ni un segundo si estoy lejos La telaraña de tu recuerdo Se fue tejiendo poco a poco con tus besos (BIS) Y enrédame algo entre los huesos... La telaraña de tu recuerdo.... Hipnotízame un segundo y yo te canto Entre mis bendiciones Esta canción te mando Amor de mis amores Enrédame en tus manos Y enrédame algo entre los huesos... La telaraña de tu recuerdo.... Y enrédame de amor mi vida Y hazme un nudo ciego Y entrégame tus pesadillas Q yo t doy mis sueños Y enrédame de amor mi vida Dejemos tanto enredo Y enrédame en tus besos Q yo a tu lado en todo me enredo
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Cartagena de Indias- Pedro Granados
Cartagena de indias
Aquí me tienes
otra vez disponible
al poema.
Sentado en un lugar ideal
esperando el poema.
Un lugar ideal y tranquilo
entre el ir y venir de la gente
y el poema no viene.
En este sábado por la tarde
en pleno centro de Cartagena
el poema no viene.
Entre la calle del Porvenir
Y la calle de la Soledad
no viene el poema.
Y larga y poderosa es la tromba
y la trompa del deseo.
Y total es la sinceridad.
Y auténtica la zozobra.
Y contenida la desesperación.
Y el poema no viene.
Muy alto es el cielo sobre esta ciudad,
vasto el mar
y anchísimo el continente.
Más fácil es hacer poemas sobre el exilio
en los Estados Unidos;
mucho más fácil la elocuencia de una ciudad
como Buenos Aires o Madrid.
E incluso ahora que estoy con una maravillosa mujer
--la más linda de todas, la más misteriosa,
la más cartagenera-- ignoro si ella es precisamente
una llave.
Todavía no sé si es necesaria una llave
para entrar a Cartagena.
Quizá el muy alto aire
y el muy vasto mar nos hablen
--a escondidas--
entre algunas de estas estrechas calles.
Quizá Pedro Claver se anime
a interpretarnos la soledad y el porvenir de su gente
(pienso en Pedro Claver --enfermo y ya gastado--
observando atentamente la bahía).
Tal vez algún día un andino del Perú
sea asimismo caribe.
Es muy fácil hacer poemas sobre el exilio
en los Estados Unidos,
muy fácil predecir el deterioro
y la posterior destrucción.
Pero escribir algo digno sobre Cartagena
no es tan fácil. No es tan predecible.
Bocachica es la pobre
y Bocagrande –lógico-- es la rica,
y aquí se ubican los burdeles. Pero,
a la orden estoy.
Con mi corazón andino y mi deseo africano.
Alto cielo y vasto mar de la costa
por ahí me voy a encontrarlos.
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