Depois de cumpridas suas obrigações pessoais, para com a sociedade, a família e sabe-se lá mais com o quê, chega a hora do dia (ou da madrugada) em que sua sala lhe pertence, no mais absoluto silêncio. Nessa hora, em determinada poltrona, abre-se um livro e...
domingo, 13 de dezembro de 2009
Arrumando a casa para 2010!
Até o momento já sairam três caixas de brinquedos, todos doados em bom estado, direto para a casa dos novos donos. Vários sacos de papéis e outros apetrechos para lá de inúteis que entulhavam minhas gavetas e que eu esperava algum dia precisar, mas desisti de possuí-los, pois com certeza quando esse dia chegar, não conseguirei encontrá-los. Vão agora bagunçar as gavetas de outrem. Os armários estão impecáveis, e o quartinho da bagunça ficará ok esta semana.
Penduramos os quadros que estavam esperando a vez, jogamos fora todos os CD sem caixa, organizei a gaveta de fotos, a de remédios e a caixa de bijuterias. Metade a Lia levou para ela.
Agora teremos mais espaço para caber novas coisas, que se apresentarão nesse novo ano, apesar de que, agora tenho prezado bastante os espaços vazios e o não ter tudo o que acho que preciso. Penso que as belas coisas continuarão a haver nas lojas em todo o mundo. Tenho preferido fotografar...
( Gente, que mentira deslavada, peço desculpas pela frase acima, descarada e descabida.Quem me conhece sabe que eu desejava muito esse desapego, que ainda não chegou para minha evolução pessoal, ainda. Mas como viram, melhorei muito.)
No entanto, estou amando organizar essa festa natalina, com a presença de nossos amigos, já que ao longo do ano, estivemos sempre ocupadíssimos e de repente, novas mudanças surgem e eles se vão...
A ceia já foi encomendada, as cadeiras, mesas e talheres alugados, o tecladista já disse que vem, o amigo oculto combinadíssimo e agora e só esperar para o dia!
Alguém sabe onde alugo uma rena?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Preparando o Natal
Queridos amigos,
Mais um natal se aproxima, muitos afazeres no trabalho, preparativos para eventos no trabalho, Ações-cívicas de final de ano, provas finais de matérias que precisei repôr por ter viajado, e também as do meu filho que necessitava de apoio extra, enfim, coisas que precisavam ser feitas. Ufa! Depois do dia 14, então, estarei praticamente liberada!
Pouco tempo me sobrou para as coisas que mais adoro fazer nessa época do ano que é arrumar a casa para a espera das festas de Nata e Reveillon. Como não vamos viajar, estou pensando em organizar, aqui em casa mesmo, uma festança animada! Para poucos amigos igualmente sem parentes aqui na cidade. Já montamos uma árvore bem grande e iluminada na entrada da casa, hoje comprarei minhas travessas de louça brancas (imensas, para caber um perú inteiro, um leitão ou um cabrito), separei meus livros de receitas e escolhi o que fazer, para já começar os preparativos e deixar algo congelado. Saudades dos antigos chutneys de manga, não tenho mais aquela linda mangueira a disposição...
Além disso, nessa época pipocam os convites para os mais diversos eventos e despedidas, praticamente dois por semana, e isso é bom, pois diminui um pouco a solidão de quem os parentes moram longe e também não poderão vir. As vezes ocupar a cabeça pensando apenas no que vestir é muito bom, distrai e nos tira um pouco da realidade cheia de responsabilidades e obrigações.
Hoje tive uma manhã livre e estou muito feliz!
Beijos!
sábado, 12 de setembro de 2009
A inconstancia dos bens do mundo
E por falar em Brasil colonial, ofereço Gregório de Matos:
A INCONSTÂNCIA DOS BENS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Inventando moda e não dando conta
Queridos
amigos,
Estou compilando dados de livros e da internet a respeito de habitos do Brasil colonial para uma peça de teatro que resolvi escrever e dirigir a toque de caixa, pois será apresentada em outubro, como parte de um seminário, que também incluirá vestuário (as fantasias da peça) e alimentação (negra, tropeira de MG e de influencia portuguesa).
Preciso urgentemente de músicas com cifras para violão. Pode ser sacra, lundús ou modinhas. De preferencia anteriores ao século XVII, pois pretendo situar no ciclo do açúcar.
Também gostaria de algumas poesias desta época, para inserir no contexto da peça. Talvez os artistas (meus colegas) cantem no final, juntos.
Eu disse que haverá degustação dos pratos pesquisados, preciso das receitas também...
Para que fui inventar isso, por favor, ajudem-me!
Márcia
domingo, 16 de agosto de 2009
A Passagem do Século: 1480-1520.
Prezados amigos,
Passei o final de semana inteiro tentando terminar a leitura do livro de Serge Gruzinski chamado A passagem do século: 1480-1520- As origens da globalização, publicado pela Companhia das Letras. Amei esse livro, que li por obra e graça da obrigação imposta pela disciplina de Historia Antiga e preciso de inspiração e tempo para resenhá-lo até o dia 20. Não tenho esse tempo, não sei o que fazer, mas vamos ao livro...
Quando estudamos história, por exemplo, a idade média, temos como base os parâmetros europeus de datas, elencados os acontecimentos mais importantes numa linha de tempo que só faz sentido para os...europeus, muitas vezes ainda dentro de uma visão do século XIX.
O que eu gostei nesse livro é que ele disserta a respeito de uma série de acontecimentos que ocorreram simultaneamente em várias partes do mundo, sob a ótica de cada povo. Consegue tornar claro pensamentos que só faziam sentido para o homem medieval, através da elucidação das crenças em voga naquela época. Traça pontos em comum entre civilizações distantes, tais como a idéia recorrente do apocalipse, pregadas por videntes e sacerdotes nas partes mais remotas do planeta. Discorre a respeito das viagens de Colombo, dos equívocos cometidos pelos navegadores, do que se passava no reino de Castela, continua viajando atavés do humanismo italiano, parte para a Lisboa, no mesmo ano de 1500, em que as caravelas de Cabral aportaram no Brasil acreditando estar nas Indias, parte para o império do sol revelando as particularidades conhecidas do império Inca, visita o esplendor do México-Tenochitlan, que era nesse mesmo ano, uma jovem potencia e provavelmente a maior cidade do planeta, com centena de milhares de habitantes, a catástrofe que se abateu sobre ela com a chegada dos europeus, parte para o reino da China, que no final do século xv, vivia uma crise administrativa, financeira e militar, em seguida nos conta sobre o Islã e o império Turco, desmistificando assim essa visão redutora do passado, eurocentrista.
O autor demonstra como se fez essa passagem do século xv para o xvl , considerando que nessa época é que surgiu as primícias da globalização, com as viagens transcontinentais, choque de civilizações, desbravamentos, colonização e o inicio da ocidentalização do mundo.
Bem, agora preciso melhorar um pouco e aprofundar tais pensamentos, parece que vou passar a noite trabalhando nisso.
No proximo post, vou tentar transcrever um trecho do livro que tenho certeza que voces vão amar, pois trata da visão que os índios brasileiros tiveram dos estranhos conquistadores.
Por aqui fico.
Beijocas.
Marcia.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Q.A:
Por uns dias me esqueci quem eu era. Minhas necessidades urbanas se abrandaram, um pouco. Da beirada segura do navio, pude assistir a um culto religioso, com muita cantoria, em um dos domingos que passei fora. Era uma Igreja de tabuas corridas e chão batido.
Todos usavam suas melhores roupas. E se digo isso, é porque sei, pois andei olhando os varais, durante o dia. Ninguém parecia incomodar-se com a quantidade enorme de insetos. O vilarejo estava ás escuras, exceto na Igrejinha e aos poucos iam chegando os fiéis, com a Bíblia na mão. A mulherada, algumas de cabelo comprido até a cintura, trataram de domar o ondulado dos fios, com uma espécie de óleo que os fazia grudar na cabeça.
Enquanto isso, mesmo no escuro da noite, as crianças brincavam de correr e jogar areia uns nos outros, sem se importar com os bichos.
E havia uma senhora, que habitava uma maloca de bambús, que parecia ser uma espécie de líder comunitária local. O pouco que tinha dividia com seus filhos naturais e adotivos. O menor foi submetido a uma pequena cirurgia, em que foi necessário extrair todos os dentes anteriores, pois que na verdade eram apenas cacos de raizes dentais. Ainda que não fossem permanentes, foi lamentável a perda.
Mas não estou hoje para falar de dentes, mas de encontros. De como fui feliz afastando-me de tudo o que costumeiramente faço. De ver o que vi, comer o que comi, conviver com quem convivi, com muita determinação.
De verdade, senti falta de muitas poucas coisas, tendo conhecido pessoas que tinham muitíssimo menos.
Ainda que eu ame tudo o que tenho e construí, sei que posso fazer tudo de forma diferente, se algum dia, desejar. Todo mundo pode.
Foram essas as coisas que me mostraram as pessoas que encontrei, e com quem na verdade troquei conhecimentos, assim que me propuz a ajudar, apenas tratando de trabalhar honestamente e tendo os olhos e coração abertos para o que se apresentar.
Beijos,
Márcia.
A princesa coroada
Queridos amigos,
Em uma localidade qualquer entre nada e lugar nenhum, na beirada do Rio Paraguai, encontrei uma princesa coroada.
Ela veio com a mãe buscar alívio para uma dor de dente, tratada a base de chá de batata-doce, já havia uma semana e sem apresentar melhoras.
Olhou com muita desconfiaça para o tratamento proposto, já que eu não queria extrair o dente, que era permanente demais. Mesmo após remover a cárie, capear e restaurar o elemento muitíssimo permanente, achou que eu estava de má vontade e muita preguiça.
Para forçar amizade, propuz tirar uma foto, tendo como fundo a cortina divisória entre os consultórios. Amei essa foto e vou dividir com vocês, agora que descobri como postar sem ajuda de ninguém fotos no blog!
Ela me encheu de alegria, acreditei que existe mesmo, apesar de tudo e ainda, escondidas nos lugares mais insuspeitos, todas as ilusões que perdemos.
É como reencontrar um parente querido, que não visitamos há muitos anos!
Beijos e apreciem!
terça-feira, 14 de julho de 2009
La vie en Rose, outra vez!
LA VIE EN ROSE
Des yeux qui font baiser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voila le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
C'est lui pour moi. Moi pour lui
Dans la vie,
Il me l'a dit, l'a jure pour la vie.
Et des que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
Des nuits d'amour à ne plus en finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des enuis des chagrins, des phases
Heureux, heureux a en mourir.
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Mais uma vez preparando-me para uma viagem especial, em meados de agosto. Desta vez visito minha cidade favorita levando minha mãe e meus filhos. Quem adivinha para onde vamos? Acho que nem preciso dizer. Mas a melhor parte, claro, é a preparação que tenho feito para esses oito dias. Consultas a guias, mapas, revistas de viagem. Aluguei O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, O corcunda de Notre Dame, Ratatouille, Asterix o Gaulês. Busquei em sebos exemplares de Tintin. Meu filho está amando. Estou ouvindo muita Edit Piaf, para desespero de todos. Comprei pela internet Paris é uma festa, de Ernest Hemingway. Li em um dia, anotando todos os locais que ele costumava frequentar com Fitzgerald e James Joyce, para ir também. Reli Madame de Pompadour , Senhora da França, enquanto estive embarcada, de Christine Pevitt Algrant e fiz pesquisas históricas.Em Cuiabá, comprei Fazendo as Malas, de Danuza Leão. Anotei todas as dicas, principalmente as dos pequenos e charmosos bistrôs, onde experimentaremos um pouco de tudo. Fechei um passeio de bicicleta pelos jardins de Monet, cerca de trinta minutos de trem distante de lá. Antes de irmos, veremos O jardim das ninféias, imenso, ao vivo e à cores, no L Orangerie. Como não gosto de viajar de excursão, fechei tudo pela internet, aluguei um apartamento em Saint Germain e comprei as passagens. Tenho trabalhado muito para realizar esses planos. Voilá!
Beijos sonhadores,
Márcia.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Mentes Inquietas
Queridissimos amigos,
Amabilíssimos e ilustres,
verdadeiros, prezados e muito, muito adorados,
ainda que distantes, amigos:
Obrigada por existirem em minha vida, ainda que eu seja inconstante e distraída. Por não desistirem de me querer bem, mesmo tendo esquecido seu aniversário. Por não terem me criticado ao perceber que acenaram no vácuo, sem que eu visse ou percebesse nenhum movimento. Por comentarem, bem humorados, que mais uma vez me viram em tal lugar e que eu levei mais de uma hora para perceber! Que estavam exatamente ao meu lado e mesmo assim foi preciso que me cutucassem!
Agradeço aos generosos amigos por não terem desistido de mim, nem me julgado mal, enquanto fui, aos poucos, percebendo que este problema tem um nome e também tratamento.
Que apesar de tudo, não tenho feito tratamento algum, já que descobri em idade adulta e que nunca interferiu em minha vida estudantil, nem profissional, pois desenvolvi mecanismos de compensação muito eficientes e organizados.
O hiperfoco, ao contrário, foi de extrema utilidade em todos os concuros dos quais participei e fui aprovada, principalmente o último vestibular que prestei, tendo sido a segunda colocada, concorrendo com gente bem mais jovem e recém saída da escola. Não posso esconder o orgulho que tive de mim mesma e dessa força de vontade que a tudo tem superado. Que nem sei de onde vem, mas tem feito de mim uma vencedora.
Talvez tenha influenciado um pouco em minha vida social, mas para quem me quer bem, meu jeito de ser, às vezes, é motivo de riso benevolente. Para quem não quer, é indiferente, de verdade, pois não me conhecem. Devem achar que sou mal educada...
Tudo bem, não se pode agradar sempre, não vou viver me justificando, pois não escolhi isso. Beijos,
PS: Se puderem, leiam de Ana Beatriz Silva: Mentes Inquietas.
Márcia.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Visitante das galáxias
Cresci e fui criada em casa de pessoas muito velhas, cuidada por minha avó e bisavó, por isso fiquei um pouco esquisita. Como não podia descer para brincar com as outras crianças, fui criando um mundo só meu, repleto de personagens de história em quadrinhos, que caprichosamente desenhava e coloria. Também descobri que podia desenhar objetos, pessoas e construções arquitetônicas, perfeitamente. Descobri que podia aprender linguas, sozinha. Comecei a pesquisar sobre a vida de mulheres célebres, personagens históricos, escritores, autores de peças teatrais. Li tudo sobre Cecilia Meireles, Bandeira, Pessoa. Comecei a escrever, sob influencia deles, ganhei alguns premios em concursos de poesia. Também escrevi coisas muito ruins, uma barbaridade, mas que na época eu achava o máximo. Estão guardadas, pois são engraçadas e bem pretensiosas, como a maioria das coisas que fazemos na juventude.
Fui sem querer, tornando-me uma verdadeira desgraça nos esportes, desperdiçando minha altura por ter medo da bola, afastando-me assim dos grupos de amigos que poderiam ter me ensinado a jogar totó, sinuca e baralho.
Em compensação, podia distinguir móveis de época, classificar louças inglesas, chinesas e cristais, nada desse universo escapava ao meu conhecimento, já que esses objetos faziam parte do meu cotidiano. Mas isso era um bocado esquisito para uma criança.
Quando comecei a reparar que eu era diferente das outras meninas, já era adolescente. Minha avó fazia minhas roupas e bordava minhas camisetas, enquanto todo mundo já curtia Company e Cantão.
Eram os anos 80, e tudo se passou tão rápido que parece que foi em outra vida. Participei de um grupo jovem, conheci muitas pessoas que pensavam como eu. Fiz alguns trabalhos bonitos com essas pessoas. Visitei presídios, fui garçonete em almoços beneficentes. Conheci o Chacrinha nas obras da irmã Zoé. Quase namorei um Filipe, quase é ótimo, tinha a certeza de que estávamos nesse caminho, até ele se decidir pelo seminário.
Acho que estou escrevendo isso para justificar um pouco o fato de habitar universos paralelos, causando um pouco de estranhamento aos que me conhecem de perto. Mas nesse fantástico mundo, a criatividade muito bem humorada impera sobre o cotidiano.
Beijos.
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