segunda-feira, 26 de julho de 2010

Do Amor e outros demönios 2

No ano de 1949, o jovem reporter Gabriel Garcia Marques é enviado ao historico convento das clarissas, onde funcionava um hospital em vias de ser desativado pois acabara de ser vendido para um grupo hoteleiro que pretendia ali instalar um hotel de luxo. Assim, acompanha o trabalho de remocão dos corpos enterrados nas criptas da capela e se surpreende com a abertura de um dos tümulos. Ao primeiro golpe de picareta, surge uma imensa cabeleira ruiva, de vinte e dois metros, de uma menina que lhe lembrou uma lenda muito popular entre os antigos do Caribe. A de uma marquesinha que tinha fama de milagreira, e acabou por morrer acometida pela raiva, apös ser atacada por um cachorro. "Essa marquesinha possuia uma cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva", segundo o autor. Encantado com a possibilidade de ter encontrado o tumulo da marquesinha, o pai do realismo magico nos brinda com uma linda estória de amor envolvendo lendas caribenhas, crendices africas e o Tribunal do Santo Ofício. Recomendo com muito empenho essa leitura.

Do Amor e outros demönios

"(...)Sierva Maria náo soube jamais que fim tinha levado Cayetano Delaura, por que ele náo voltou com sua cesta de doces dos portais e suas noites insaciaveis. No dia 29 de maio, sem änimo para mais nada, tornou a sonhar com a janela dando para um campo nevado, onde Cayetano Delaura náo estava nem voltaria a estar nunca. Tinha no colo um cacho de uvas douradas que tornavam a brotar logo que as comia. Mas dessa vez náo arrancava uma a uma, e sim de duas em duas, mal respirando na änsia de acabar com o cacho ate a [ultima uva. A guardiá que entrou com a incumbencia de prepara-la para a ultima sessáo de exorcismos a encontrou morta de amor na cama, os olhos fulgurantes e pele de recem-nascida. Os fios de cabelo brotavam-lhe como borbulhas no cranio raspado, e era possivel ve-los crescer." Como parte dos preparativos para minha viagem á Colômbia, comprei dois exemplares desse belo romance de Gabriel Garcia Marques. Um para mim, outro para minha mãe, que me acompanharä nessa aventura em meados de setembro. Ficaremos hospedadas justamente no hotel que funciona no antigo convento de Santa Clara,em Cartagena de las Indias, local onde se passa a narrativa. Nessa viagem tão esperada, pretendo rever os locais que visitei durante as leituras da obra de Gabriel. As ruas de Cartagena, as Igrejas, os fortes, as lendas dos piratas, os tuneis secretos e todos os locais por onde seus fantasticos personagens andaram.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Hino da bandeira

Queria contar uma outra coisa esquisita. Que minha mãe, por não conhecer muitas canções, na verdade, apenas duas, costumava nos ninar com o hino da bandeira. Salve o lindo pendão da esperança.Bem, eu gosto. Em outras ocasiões atacava de: Em treze de Maio na cova da Iria No céu aparece a Virgem Maria... Não é de se admirar que eu e minha irmã tenhamos um gosto musical duvidoso e limitado! Por hoje é só.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O visitante- Márcia Taube

Todos os dias, no fim da tarde, sento-me na soleira dessa casa imaginária, que julgo habitar e aguardo com os olhos aflitos o regresso de alguém que virá de surpresa. Esse alguém sem sexo definido, usa um chapéu de palha e monta um pangaré. Vem de muito longe, me trazendo algum agrado embrulhado em papel almaço e fita de barbante. Nunca avisa. Nunca vem. Esse alguém podia ser meu pai, meu avô morto, minha amiga para sempre esquecida. Não tenho pressa nessa chegada, pois me agrada a longa espera. Enquanto fito o horizonte inexistente, agradeço a Deus por aquilo que julgo faltar em minha vida ser tão pequena coisa. Aguardo, pois, com alegria e esperança, minha querida visita. Márcia.

Meu chatíssimo, queridíssimo e amadíssimo blog

Te confesso que andei desanimada de escrever. Até porque acho que ninguém lê as minhas coisas. Até porque eu sou chata pacas. Minha filha disse que devia por muitas fotos, poucos comentários, falar sobre algum interesse em comum entre esta que vos escreve e a maioria das pessoas. Mas todo mundo que eu conheço curte sair a noite, viajar para lugares descolados que não acho graça, conversar coisas que me cansam. Quase ninguém gosta de viajar só para comer coisas, frequentar sebos, lugarejos ermos,missas gregorianas, espetáculos de clássicos revisitados,feiras, floriculturas e cemitérios, de preferencia sozinha, com meus parentes idosos ou meu marido, que preferia (mil vezes) curtir um bom hotel. Apesar da minha idade, eu sou muito, muito velha.Poucos amigos corajosos, me aturam. Pensei em silenciar este blog. Mas, para o azar de todos (rsrsrs!)mudei de idéia quando recebi um post do Antônio Calloni, agradecendo a reprodução de seu poema. Poucas palavras, delicadas. Do fundo do meu coração percebi que buscava essa inteiração com o mundo.Agora, digam ao povo que fico.

domingo, 2 de maio de 2010

Tenho andado encantada com a cadeira de História Cultural, sonhando com o dia em que terei tempo de sobra para ler todas as obras desejadas, em especial as de Peter Burke, principal historiador cultural de nossa geração, de quem comprei o livro O que é Hist´ria Cultural, da Jorge zahar Editora. Mas o trecho abaixo é de outro livro, e de outra autora,com os devidos créditos ao final da leitura, a quem destaquei por ter amado o seguinte pensamento: " (...)Tanto as sociedades arcaicas quanto as modernas, contemporaneas, tecnologizadas possuem seus sistemas imaginários de representação, a construírem verdades,certezas, mitos, crenças. Todos os homens vivem, diz Boia, ao mesmo tempo, em um mundo prosaico, das coisas do cotidiano, e em um mundo do fabuloso, do desejo e do sonho. O que é certo, assevera Boia, é que nenhuma sociedade vive fora do imaginário e que é uma falsa questão separar os dois mundos, o do real e o do imaginário. Sabe-se, contudo, que nem sempre foi assim e que, por longo tempo,o imaginário esteve relegado ao mundo da fantasia, da ilusão, do não real, da não-verdade, do não-sério. Contribuíram para isso como é possível entender, o advento do racionalismo cartesiano do século XVII, seguido pelo cientificismo das Luzes para prolongar-se pelo século XIX, animado pelo cientificismo, pelo evolucionismo e pelo progresso. Em pleno século XX, tanto o marxismo quanto o pensamento de Sartre colaboraram para acentuar a distinção entre o chamado mundo do real e aquele do não-real ou imaginário. Diante da pureza do conceito, na sua capacidade de realizar abstrações sobre o mundo, Sartre colocava a imaginação como um degrau inferior do pensamento. É, verdadeiramente, com o advento da História Cultural que o imaginário se torna um conceito central para a análise da realidade, a traduzir a experiencia do vivido e do não-vivido ou seja, do suposto, do desconhecido, do desejado, do temido, do intuído. " Trecho extraído do livro: Históra e História Cultural, de Sandra Jatahy Pesavento.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Receita de Cosmopolitan

Comprei em Floripa uma caixa de suco de Cranberry, para fazer esse cocktail,que pretendo preparar e curtir em meu feriado de tiradentes,com a família, revendo Sex and The City! Não se preocupem, as crianças vão tomar coca cola light! Taí a receita: 30ml de vodka 15ml de triple sec 15ml de suco de cramberry 15ml de suco de limão servido em uma taça de martini. Para acompanhar, tapas espanholas... Oba! Viva um da de folga!

Mandem presentes para mim- Antonio Calloni

Não sabia que Calloni escrevia. Hoje eu soube e apreciei ainda mais as suas artes. Para mim, ele é o maior dentre os atores nacionais. O Gerard Depardieu do Brasil. Transcrevo, pois, sua poesia, para dividir a descoberta com os amigos: "Mandem presentes para mim mandem presentes para mim muitos presentes muitas caixas volumosas pequenas com laços ou sem mandem presentes para mim muitos presentes artesanais industriais com afeto com defeitos mandem presentes para mim com embrulhos originais comuns também servem leves pesados perecíveis eternos mandem presentes para mim mandem a espingarda paterna inutilizada o Santo Antonio da mãe a casa eterna da infância as irmãs restituídas a avenida de nome Iraí onde a merda da rima nasceu lugar onde eu cresci mandem presentes para mim do céu do inferno do pai do filho do espírito nem sempre santo mandem presentes para mim mandem caixas e mais caixas mantimentos coisas inúteis (fundamentais para o bom funcionamento da alma) objetos com design moderno um sentimento mandem presentes para mim mandem desespero tempero um par de alegrias alergia eu já tenho mandem um teto solar o sexo da puta mandem dinheiro relógios de ouro mandem meu reflexo uma armadilha mandem a história de Narciso para eu embrulhar o peixe mandem presentes para mim muitas caixas brinquedos bonecos do Star Wars quero viver com sorte! mandem presentes para mim se não mandar eu mesmo compro sem parar que a tristeza é tão indecentemente óbvia quem falar em carência leva um tiro! quem falar em sublimação é um bosta! meu desejo é legítimo! quero vencer a morte! quero vencer a morte! quero vencer a morte! mandem presentes para mim. "

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tudo o que não sei sobre o amor- Fernando Koproski

"Procura-se uma Musa que goste de brigadeiros, que quando me olhe, olhe um olhar de pétalas imediatas, procura-se uma musa que me lembre luas na noite nublada. Que goste de dormir com chuva, prefira a sombra de uma dúvida ao escuro de qualquer certeza, procura-se uma musa que tenha lábios de halls cereja. Que goste de acordar tarde. Que quando sonhe, sonhe sonhos de valsa, de tango ou de bolero. Procura-se uma musa que enfim queira o que eu quero. Que quando dance, distraída, faça de minha vida um filme, aonde o amor cada cena que a gente aguarda e não espera. Procura-se uma musa que tenha pressa de primavera. Tratar com Fernando Koproski."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Das verdades

Aos ouvidos moucos,pouco. Aos olhos cegos, pó. Simples como isso. Quem aos porcos pérolas insiste, acaba por passar por dono da verdade. Muitas sendo as verdades, uma só prevalece, De acordo com o interesse de quem a leva. Tudo ou quase tudo é interesse. Muitas são as visões distorcidas. Aguardemos o desenrolar dos fatos, espiando da última frisa. Márcia