terça-feira, 19 de julho de 2011

As missões culturais e seu legado

Dom João VI instituiu diversas medidas para incentivar a cultura  e a educação no Brasil-colônia que acabava de se tornar a sede do governo português.

A vinda de missões culturais foi uma delas, compostas principalmente de cientistas e artistas alemães, franceses e austríacos. Desta forma, não é de se estranhar que a influência da cultura européia tenha permeado durante todo esse período e se intensificado ainda mais com a chegada da Missão Artística e Cultural Francesa, no Rio de Janeiro, em 1816.

Foram integrantes dessa Missão: Jean-Batiste Debret , Auguste de Saint-Hilaire, Auguste-Marie Taunay, Nicolas-Antoine Taunay, que pintou a gravura abaixo, entre outros.



Posteriormente, ainda no século XIX, mais artistas vieram aos trópicos, atraídos por seu exotismo, sua luz favorável às pinturas, sua diversidade de tipos culturais. Todos eles contribuíram para a documentação histórica desse período, providenciando as imprescindíveis fontes primárias que fundamentaram posteriores pesquisas a respeito da construção de nossa identidade cultural.
 Entre eles, o Austríaco Thomas Ender, que como parte integrante da comitiva de chegada da princesa Leopoldina da Áustria, futura Imperatriz brasileira, retratou paisagens e cenas das províncias de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.



Com ele, nesta mesma comitiva, vieram também o botânico Carl Friedrich Philipp Von Marthius, que deixou no Brasil um importante trabalho, pioneiro na historiografia brasileira (que trataremos mais adiante ) e o zoólogo Johann Baptist Von Spix .

Três anos mais tarde, chega ao Brasil a Expedição Langsdorff, e com ela o desenhista, pintor e documentarista Johann Moritz Rugendas, que também merecerá uma postagem separada.



Fonte:

Enciclopédia do Estudante, Vol.16; pg 74 - História do Brasil- Das origens ao Século XXI, Ed Moderna,2008.

Fotos:

Aspectos da rua Principal do Rio de Janeiro:  http://www.dezenovevinte.net/bios/bio_te.htm

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Olhares dos primeiros viajantes estrangeiros sobre o Brasil

No ano de 1808, a família real portuguesa chegava ao Brasil, fugindo da invasão de Napoleão Bonaparte. Lembramos dos livros escolares que a primeira coisa que fez o imperador foi "abrir os portos às nações amigas", que naquele determinado momento histórico significava a Inglaterra, que os protegeu e escoltou em troca de um novo mercado consumidor para seus produtos...
Com a abertura dos portos, inúmeros visitantes estrangeiros estiveram por essas terras, e não puderam deixar de registrar suas impressões.
Uma das abordagens mais curiosas a respeito da análise de tais documentos, reside justamente na visão muitas das vezes equivocada, que os estrangeiros tinham a respeito de nossa terra, os estudos dos imaginários destes viajantes.
Textos cheios de espanto, de colocações preconceituosas, já que o estilo de vida europeu era tido como modelo de civilidade.
Em uma época em que a grande maioria da população era analfabeta, tais relatos foram de fundamental importancia, pois guardaram para a posteridade as descrições do que aqui havia, do modo de vida, do cotidiano, da geografia, principalmente descrições topográficas, além dos desenhos detalhados, das amostras de fauna e flora tropicais, tidas como exóticas.
Lá fora tais relatos faziam muito sucesso, inúmeras obras foram escritas, até por pessoas que nunca estiveram no Brasil! Alguns vieram a convite da coroa, em expedições oficiais, outros por conta própria.
Desta época podemos destacar Rugendas, Debret e também Hércules Florence.
Aos poucos, pretendo discutir  no blog a respeito de alguns desses autores.

Cabeza de Vaca


A obra Naufrágios, de Dom Álvar Nunez Cabeza de Vaca, se não fosse verídica seria uma excelente obra de ficção.
Relata as aventuras desse nobre viajante, que naufragou próximo à Costa do México,ao sul do atual EUA, no ano de 1527, quando pretendia chegar às "Indias".
Dos 300 náufragos, foi um dos quatro sobreviventes. Viveu em companhia dos índios por oito anos, fazendo-se passar por curandeiro. Junto com seus companheiros,caminhando descalços e nús por mais de 18 mil quilômetros, buscaram inúmeras rotas que fossem um caminho de volta para a Espanha. Passaram pela fronteira entre EUA e México, até chegar ao Rio Bravo, onde seguindo seu curso, conviveram com outra tribo que se dedicava a caça de bisontes, até encontrarem um grupo de exploradores espanhóis que os repatriou.
No ano de 1542 publica sua extraordinária obra, relatando seus feitos. Abaixo, tirado da Wikipédia, o mapa que ilustra sua rota de andarilhos:





Desasossegado, resolve empreender uma segunda viagem à América do Sul, no ano de 1540, como governador do Rio da Prata, onde a partir de Santa Catarina chega até as Cataratas do Iguaçú, e explora o Rio Paraguai. Envolvido em questões políticas, em que defendeu as causas indígenas, acabou preso e enviado de volta à Espanha.
De tão inacreditável, teve sua história recontada por Paulo Markun, atual Presidente da Fundação Anchieta que o considera tão desbravador quanto Cristóvão Colombo.

Veja o que diz o Estadão:


E em seguida, veja o trailer do filme feito sobre ele no ano de 1991:









A carta de Pero Vaz de Caminha (Carta a el-rei D. Manuel)



O primeiro registro histórico do Brasil foi feito pelo escrivão da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha, no intento de comunicar-lhe a chegada à nossas terras e mandar notícias à corte portuguesa das maravilhas que presenciava em terras tupiniquins.
Ufanista, cheia de ilustrações idílicas, a carta traçava a verdadeira visão do paraíso para as mentes de além-mar. Conveniente, dado que naquele momento histórico colonizar essas terras eram uma preocupação de Portugal, na figura do rei D. Manuel.

Este valioso documento, datado de primeiro de Maio de 1500, foi levado a Lisboa pelo comandante de um dos navios da frota, Dom Gaspar de Lemos e perdeu-se no tempo, até ser redescoberta no ano de 1773, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na mesma cidade, sendo publicada em 1817 no Brasil pelo Padre Manuel Aires de Casal. Desfrutemos de alguns trechos:

"Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si. E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. "


"Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. "
A carta é breve e vale muito a pena ser lida na íntegra. Para quem se interessar, leia aqui:

http://www.superdownloads.com.br/download/185/livro-carta-de-pero-vaz-de-caminha/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Historiografia brasileira

Poucos assuntos me cativaram tanto ultimamente, quanto a formação de nosso discurso historiográfico. A construção de nossa história, pela visão de diversos autores, de diversas correntes é mesmo muito interessante. Por que estudamos o que estudamos? Quem escreveu a história do Brasil? Com que intenção?
Em que contexto político?
Apesar do pouquíssimo tempo disponível, não me importei nem um pouco em dedicar minhas horas livres a diversas leituras, algumas obrigatórias para a faculdade, outras por minha conta, no intuito de melhor compreender tais questionamentos e ilustrar algumas colocações.
Nos próximos posts, pretendo resumir algumas dessas ricas discussões e  recomendar algumas leituras, para aqueles que também tiverem interesse no assunto.

Sofitel Hotel- Life is Magnifique




Esta campanha publicitária da rede Accor está entre minhas favoritas. Belas imagens, que levam nossos pensamentos a lugares exóticos e sofisticados. Remetem às férias de sonho, perfeitas, impecáveis, ambientadas em luxuosos paraísos terrestres .
O fotógrafo inglês que ilustra esta campanha chamada "A vida é Magnífica "chama-se Tim Walker. Para resumir o trabalho deste artista, podemos dizer que ele detem referências de Lewis Carrol e Guy Bourdin. Seus ambientes possuem decoração misteriosa, algumas vezes fantasmagóricas, tomadas de um glamour fora dos padrões convencionais, modelos apresentadas entre poses provocantes ou envolvidas em situações extraordinárias. Todas as suas fotos foram feitas sem o uso de efeitos especiais. Um trabalho realmente incrível! A minha favorita é a da árvore de doces...
A modelo francesa escolhida para simbolizar a elegância  de seu público alvo, chama-se Aurélie Claudel, e expressa muito bem o charme e a sofisticação feminina.  Aurélie já foi retratada pela Cosmopolitan (Nova), Vogue, Elle, entre outras revistas, além de ter desfilado para a maioria dos designers de moda considerados de primeira linha.

Fonte: Site do Sofitel Hotel, descricionário no Youtube.

domingo, 10 de julho de 2011

Uma Noite Árabe em Corumbá

No dia 09 de Julho, aconteceu no Centro de Convenções de Corumbá a terceira noite árabe, festa que está se tornando tradicional nesta cidade, que conta com uma das maiores comunidades de descendentes de árabes, palestinos e turcos.



A organização foi impecável, com algumas senhoras trajando suas belas vestes , a mesa de antepastos ficou permanentemente servida com os tradicionais pratos, que depois foram substituídos pelo jantar preparado pelo Buffet Humaitá.





Os patrocinadores do eventos foram presenteados por com uma caixa contendo um pequeno narguilé. Simpático e charmoso!



Mas o ponto alto da festa foram as danças. Não ficaram limitados apenas às danças do ventre, por sinal lindíssimas, mas também houveram as danças masculinas, que contaram com a participação de inúmeros presentes.














Uma noite memorável, que esperamos que se repita muitas e muitas vezes!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Principais conflitos

De uma forma bem didática, podemos enumerar os quatro principais conflitos que ocorrem no Oriente-Médio:

Israel e Palestinos:

As tensões criadas desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, acarretam ainda hoje ameaças de cisão no território, que já está parcialmente dividido por regiões descontínuas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Atualmente, há um novo conflito na região entre os dois principais grupos palestinos. De um lado, o Fatah (favorável ao entendimento com os israelenses) e Hamas (organização mais radical que sustenta a destruição de Israel). As divergências entre as duas facções chegaram ao conflito armado, que resultou na divisão do território; atualmente, o Fatah domina a região da Cisjordânia, enquanto o Hamas controla a Faixa de Gaza.

Ocupação do Iraque:

Dede 2003, a coalizão comandada pelos EUA e pelo Reino Unido ocupou a região, que atualmente vivencia uma situação de guerra civil entre sunitas e xiitas, com conflitos e atentados suicidas quase diariamente. Há a estimativa de que, desde 2006, ocorram por mês 3 mil mortes causadas pela violência. A situação dos refugiados no Iraque, segundo dados da ONU, já representa um deslocamento de pessoas maior que o desalojamento dos palestinos quando da criação do Estado de Israel.

A derrubada do regime de Saddam Hussein pelo governo norte-americano, teve a finalidade de instaurar um regime democrático na região, mas inúmeros obstáculos podem surgir, inclusive relacionados à própria cultura local que não está familiarizada com a dissociação entre Estado e Religião.

Irã e suspeitas de ameaça nuclear:

A república islâmica do Irã sofre pressões por parte da ONU para que interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, processo que, se realizado com finalidade pacífica, está em conformidade com as normas e tratados internacionais. Se por um lado o governo iraniano, recentemente empossado sob a acusação de ter fraudado as eleições, garante que o processo é realizado para fins pacíficos, por outro, as grandes potências mundiais desconfiam e temem que a real finalidade seja a construção de armas atômicas.

Tensões entre Síria e Líbano:

Líbano e Síria estiveram por muito tempo ligados. A Síria dominou o Líbano por 30 anos e atualmente é acusada de sustentar o Hezbollah, partido político islâmico devidamente legalizado no Líbano, como uma forma de interferir na política libanesa. Em 2006, o Líbano sofreu um ataque violento por parte de Israel, visando atingir o, Hezbollah que é visto pelos EUA e por Israel como um grupo terrorista. Para os EUA, também o Irã estaria ligado à organização terrorista apoiando o Hezbollah. Atualmente uma paz aparente tem se apresentado, mas não se sabe até quando.

O Oriente Médio e o conflito Árabe-Israelense

A diversidade dos povos daquela região talvez seja a grande problemática a ser resolvida na busca da paz. Os povos são basicamente judeus, árabes, turcos, persas e curdos e a maioria segue o Islamismo como religião.
Dentro do Islamismo existem diversas vertentes – seitas – algumas bastante radicais.

 A xiita – considerados mais radicais e em algumas regiões, como o Iraque (entre 60 e 65% da população é de xiitas).

A sunita – corresponde à grande maioria da população (mais de 85%), considerados mais ortodoxos, crêem na legitimidade dos quatro califados que sucederam o profeta e em seus ensinamentos, nem todos parentes de Maomé, que teriam dado origem ao povo. Também diferem quanto à vinculação do líder político à religião: para os xiitas, o líder político deve ser um enviado de Deus, enquanto os sunitas não fazem esta ligação.Os xiitas crêem que após a morte do profeta, apenas o seu primo e genro Ali seria seu sucessor legítimo, sendo o primeiro califa muçulmano, cujos descendentes (também parentes do profeta) teriam originado o povo da região.

Após a morte do profeta, um Cisma foi criado dividindo os fiéis em dois grupos: os sunitas e os xiitas, que divergem quanto à ascendência do povo muçulmano.

Os Curdos: São um grupo étnico originário da região do Curdistão, hoje dividida entre Iraque, Irã, Síria e Turquia, que representa o maior grupo étnico sem Estado no mundo. Sofreram enorme repressão durante as últimas décadas no regime ditatorial de Saddam Hussein. Após a derrubada do regime, ganharam maior autonomia e reivindicam a criação de um estado próprio.

Se não bastassem os enfrentamentos religiosos, outros fatores contribuem para aumentar a tensão no Oriente Médio.
O petróleo, abundante em terras árabes é amplamente utilizado como fonte de energia nos países amplamente industrializados, gerando guerras e conflitos constantes nessa região, desde a criação do Estado de Israel, quando os árabes foram expulsos da Palestina e com a formação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Tal conflito, iniciado em 1948, um dia após a independência de Israel, já deu origem á inúmeras guerras. Em 1975, houve a guerra do Líbano, em 1980, a guerra Irã-Iraque, em 1990, a Guerra do Golfo, quando o Iraque invade o Kuwait.

sábado, 18 de junho de 2011

Amor- Poema árabe

Quando o amor o chamar

Se guie

Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados

E quando ele vos envolver com suas asas

Cedei-lhe

Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos

E quando ele vos falar

Acreditai nele

Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o

jardim

Pois da mesma forma que o amor vos coroa,

assim ele vos crucifica

E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento

Trabalha para vossa poda

E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros

que se embalam ao sol

Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra

Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração

Ele vos debulha para expor a vossa nudez

Ele vos peneira para libertar-vos das palhas

Ele vos mói até extrema brancura

Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis

Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete

divino

Todas essas coisas o amor operará em vos para que conheçais os segredos de

vossos corações

E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino

Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor

Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do

amor

Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos

E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas

O amor nada dá, se não de si próprio

E nada recebe, se não de si próprio

O amor não possui nem se deixa possuir

Pois o amor basta-se a si mesmo

Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'

Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'

E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar

dignos determinará ele próprio vosso curso

O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude

Se contudo amardes e precisardes ter desejos

Sejam estes os vossos desejos

De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a

noite

De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada

De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor

E de sangrardes de boa vontade e com alegria

De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de

amor

De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor

De voltardes pra casa à noite com gratidão

E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado

E nos lábios uma canção de bem-aventurança.


Extraído do site:
http://www.tendarabe.com/categoria/cultura/arte/literatura/poesias