quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Agradecimento

Queridos amigos e leitores, as horas de lazer dedicadas às leituras e aos estudos valeram a pena. Consegui minha vaga no curso de mestrado em Estudos Fronteiriços da UFMS. Estou muito feliz em continuar meus estudos e ingressar de vez na área de pesquisa acadêmica. Acredito que com este curso eu consiga os instrumentos necessários para incrementar a qualidade daquilo que venho escrevendo.
Gostaria também de agradecer a compreensão de todos ao meu sumiço e da surpresa que foi o mês de outubro, pois o blog bateu recorde de acessos, quase seis mil, sem que eu houvesse estado presente, com postagens novas,pelos motivos que relatei acima.
Mais uma vez obrigada, pelo carinho,pela torcida e pelo prestígio que vocês, leitores e amigos têm conferido a este blog!
Um beijo!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A literatura indianista



     Abrindo um parênteses dentro da abordagem historiográfica brasileira a que me propus  nestes últimos posts, não poderia deixar de comentar sobre a contribuição da leva dos romances brasileiros, inspirados pelo mito do “bom selvagem” idealizado por Rousseau, para a redenção do elemento indígena  no imaginário do povo brasileiro.

     O homem selvagem, puro e despido de preconceitos, coube como uma luva ao ideal de herói romântico, posto que seria impossível aos escritores reportarem-se aos cavaleiros medievais, por motivos óbvios. Os negros, foram colocados à margem da história e da literatura, exceto, talvez, por Castro Alves.

     Para a elite aristocrática brasileira, tais romances começavam a incomodar, pois iam de encontro às propostas do IHGB.

     Em uma carta dirigida ao imperador, no dia 18 de Julho de 1852, Varnhagen o advertia a propósito do indianismo de Gonçalves Dias, que veiculava à imagem do indígena a de detentor da verdadeira brasilidade, em detrimento ao branco colonizador:


     “ (...) não deixar para mais tarde a solução de uma questão  importante acerca da qual convém muito ao país e ao trono que a opinião se não extravie, com idéias que acabam por ser subversivas”


     De fato, após a Proclamação da República, no ano de 1822, o Romantismo veio a firmar-se como o gênero literário da época. Dentre os autores indianistas, além de Gonçalves dias, com seu épico I-Juca-Pirama, destaca-se José de Alencar na prosa, com seus inesquecíveis romances O Guarani e Iracema. Nas artes plásticas, Victor Meirelles, que pintou a obra que ilustra este post: Moema.

     Longe de retratar a realidade indígena de sua época, tais romances tiveram o mérito de ressaltar a presença e a importância  de um elemento étnico que não fosse o branco. Importante lembrar que aos negros não foi dado o mesmo tratamento, tendo desde sempre sido colocado à margem da história.

    
Obs: A título de nos alongarmos um pouco mais sobre as questões e preconceitos que envolvem a cultura indígena, até hoje uma realidade em nosso país, sugiro a leitura deste post do professor Hugo Studart, que muito me comoveu:




Fontes bibliográficas:

Carta de Varnhagen ao imperador datada de 18 de Julho de 1852. In: LESSA. Clado Ribeiro de (org.) Francisco Adolfo Varnhagen. Correspondência ativa. Rio de Janeiro, INL, 1961, p. 187.


Nação e Civilização nos trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional.
Autor: Manoel Luís Salgado Guimarães



http://www.masp.art.br/servicoeducativo/assessoriaaoprofessor-ago06.php




A temática indígena no interior do IHGB

                  

A partir de 1851, o IHGB busca consolidar-se como Instituição Científica, passando por um processo de alargamento e profissionalização. Novos estatutos são criados, que no entanto, deixam transparecer que as rupturas necessárias ainda estarão de longe de ocorrer.

     Ao contrário, o Institut Historique de Paris foi o fornecedor de parâmentros  e legitimador dos trabalhos historiográficos desenvolvidos pelo IHGB.

     Presos, ainda, aos conceitos iluministas que tratavam a história de forma linear, nossos historiadores empenharam-se em traçar essa linha evolutiva utilizando-se de conhecimentos arqueológicos, etnográficos e lingüísticos, buscando ter acesso aos mistérios das primeiras civilizações em solo brasileiro.

     Todos os meios, na verdade,  servindo de instrumentos de explicitação científica da superioridade branca, capaz de assegurar o progresso e a civilização aos povos mais atrasados da América.

     No interior do IHGB, um acirrado debate começou a tomar forma entre as vertentes históricas e literárias, que se formaram em torno da temática indígena, uma vez que esta última defendia a incômoda  idéia de gênese da nação brasileira representada pelo elemento índio.

Fonte Bibliográfica:

Nação e Civilização nos trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional.

Autor: Manoel Luís Salgado Guimarães





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

COMO SE DEVE ESCREVER A HISTÓRIA DO BRASIL

      A monografia intitulada “Como se deve escrever a história do Brasil”, de Carl Friedrich  Philipp Von Martius, saiu vencedora do concurso promovido no ano de 1840, pelo IHGB, cuja proposta era responder qual seria o melhor sistema para a elaboração de uma escrita historiográfica brasileira.

      Como vimos em posts anteriores, naquele momento histórico, fazia-se necessário criar um sentimento comum, de nacionalismo, de pertencimento, em todas as classes sociais, para um país que acabara de nascer. Fazia-se também necessário legitimar o poder imperial, pois o Brasil configurava-se como o único país americano de regime político não republicano.

      O texto de Von Martius, elaborado de forma pragmática e filosófica, propunha a mescla das três raças para a formação do povo brasileiro, em uma concepção de história que fosse comum a todos. Para tal, discorria a respeito das contribuições de cada uma das raças na formarção  da Nação.

     No entanto, se analisada com maior cuidado, deixa claro que o papel reservado ao branco, português, é o de agente civilizador, enquanto que ao índio e ao negro são relegados os papéis de meros colaboradores deste processo.

     Logo nos primeiros parágrafos, O autor revela seu ponto de vista:


“ (...) Cada uma das particularidades físicas e morais, que distinguem as diversas raças, oferece a este respeito um motor especial; e tanto maior será a a sua influência para o desenvolvimento comum, quanto maior for a energia, número e dignidade da sociedade de cada uma dessas raças. Disso necessariamente se segue o português, que, como descobridor, conquistador e senhor, poderosamente influiu naquele desenvolvimento; o português que deu as condições e garantias morais e físicas para um reino independente, que o português se apresenta como o mais poderoso e essencial motor. Mas também de certo seria um grande erro para todos os princípios da historiografia pragmática se se desprezassem as forças dos indígenas e dos negros importados; forças estas que igualmente concorreram para o desenvolvimento físico, moral e civil da totalidade da população.”



Ou ainda:



“ (...) Jamais nos será permitido duvidar que a vontade da providência predestinou ao Brasil esta mescla. O sangue português em um poderoso rio deverá absorver os pequenos confluentes das raças índia e etiópica. Em a classe baixa tem lugar esta mescla e como em todos os países, se formam as classes superiores dos elementos das inferiores; e por meio delas se vivificam e fortalecem assim se prepara atualmente na última classe da população brasileira essa mescla de raças, que daí a séculos influirá poderosamente sobre as classes elevadas, e lhes comunicará aquela atividade histórica para a qual o Império do Brasil é chamado.”

     Von Martius propõe aos historiadores brasileiros que transportem-se à casa dos colonos, para mostrar como viviam e se relacionavam,  que vivenciem a vida no interior das famílias, observando ainda sua relação com os escravos. Que demonstrem, a ação da Igreja, da escola, de que forma chegavam as idéias da Europa, a influência destas na vida dos brasileiros, como era a vida militar, o comércio, a navegação, a construção naval, entre outros. Deverão os historiadores, ainda, defender as “raças menores” e de forma cristã e filantrópica, estudá-las.

     Com relação aos índios, Von Martius propõe uma maior investigação a respeito da historia de seu desenvolvimento, chamando-os de “habitantes primitivos do Brasil”. Reconhece a contribuição de sua exótica cultura, propõe o estudo de sua língua, reconhece-lhes a humanidade.                     

     Sua visão é permeada de elementos filosóficos comuns aos homens de seu tempo. É eugênica, faz distinção entre “raças”, sobrepõe os valores morais do “homem branco” sobre os demais, crê na degeneração da cultura indígena, considera a religiosidade destes meras crendices, entre outros equívocos  :


“ (...) Que povos eram aqueles que os portugueses acharam na terra de Santa Cruz, quando estes aproveitaram e estenderam a descoberta do Cabral? De onde vieram eles? Quais as causas que os reduziram a esta dissolução moral e civil, que neles não reconhecemos senão ruínas de povos? (...)”


     No que diz respeito à contribuição da cultura negra, o autor destina-lhe apenas dois breves parágrafos, propondo estudos mais aprofundados, principalmente com relação à história universal do tráfico negreiro,  à situação das colônias portuguesas na África, desviando o foco de interesse para as questões das feitorias portuguesas naquele país. Comenta que a literatura portuguesa oferece muito pouco a respeito deste assunto, propondo ainda, um estudo comparativo entre as índoles, costumes e usos entre negros e índios.

     Com relação ao tema que dá título ao trabalho, no entanto,  é vago:

“(...) Não há dúvida que o Brasil teria tido um desenvolvimento muito diferente sem a introdução dos escravos negros. Se para o melhor ou para o pior, este problema se resolverá para o historiador, depois de ter tido ocasião de ponderar todas as influências, que tiveram os escravos africanos no desenvolvimento civil, moral e político da presente população.”


     Tal proposta atormentaria os futuros historiadores, que dariam a esta questão uma resposta negativa, até os idos de 1933, quando Gilberto Freire os redime com sua obra “ Casa Grande e Senzala”, que abordaremos mais adiante.

     Conclui falando a respeito da grande dificuldade que os autores encontram ao tentar escrever a historia do Brasil, devido a grande extensão do território brasileiro e das variedades de fauna, flora, clima, solo, costumes  e elementos populacionais e destaca a  necessidade do historiador em familiarizar-se com as particularidades das diversidades regionais brasileiras.

   Com esta obra, Von Martius definiu as bases de um projeto histórico, que garantisse uma identidade ao Brasil. De suas interpretações, foi construído o imaginário de toda a população brasileira a respeito de si, e principalmente, norteou  o raciocínio das “elites pensantes “ da época. Além disso, lançou os alicerces do “ mito da democracia racial brasileira”.


Fonte bibliográfica:


Como se deve escrever a história do Brasil- Carl Friedrich Philipp Von Martius,







domingo, 25 de setembro de 2011

Carl Friedrich Philipp Von Martius




Carl Friedrich Philipp Von Martius, foi um pesquisador alemão que, a convite da coroa austríaca, a quem por meio do casamento da princesa D Leopoldina, unia-se à casa de Portugal, esteve durante mais de dez anos viajando pelo Brasil, em especial pela região amazônica.

Médico, antropólgo e botânico, deixou um importante legado principalmente neste último campo, onde diversas espécies desconhecidas, foram por ele reveladas e catalogadas.

Submeteu ao crivo de seu método científico as práticas indígenas no uso de plantas medicinais e observou que os índios não se utilizavam de todas as potencialidades daquelas, por desconhecimento. Muitas das plantas brasileiras eram por eles ignoradas e algumas tinham propriedades bastante similares a alguns espécimes europeus.

Von Martius foi o pesquisador mais empenhado em combater e inverter o mito do “bom selvagem”, pois acreditava que os índios brasileiros eram degenerados, degradados de alguma sociedade mais evoluída e que com o passar dos anos, foram perdendo tal ancestralidade, tendo regredido no tempo, voltando às praticas primitivas.

Como pesquisador estrangeiro, acreditava em uma história linear, evolucionista. Seu olhar refletia os muitos conceitos comuns às pessoas de seu tempo. Eram os tais conceitos eugênicos, em que a superioridade cientificamente comprovada de uma raça sobre a outra vinha a justificar o papel do colonizador.

O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO (IHGB)

“ (...) amalgamação muito difícil será a liga de tanto metal heterogêneo, como brancos, mulatos, pretos livres e escravos, índios etc. etc. etc., em um corpo sólido e político.”

(José Bonifácio- 1813)



A criação do IHGB, em 1838, foi fruto da gestação de um projeto de identidade nacional. Buscava delinear o perfil desta nova nação, dentro de uma sociedade escravocrata, onde ainda havia elementos populacionais indígenas e portugueses. Uma nação em que todos os brasileiros se reconhecessem.

À história foi dado o papel de legitimação do presente.

A tarefa dos letrados reunidos em torno do IHGB, todos pertencentes às elites brasileiras, era justamente a de construir essa idéia de nação, pautada em uma visão civilizatória e progressista, de forte inspiração iluminista. Tal preocupação historiográfica, estava em voga na Europa do século XIX.

Esta nova Nação, nestes anos que antecederam a Proclamação da República, não se oporia à metrópole portuguesa, ao contrário, se perceberia inserida dentro de um processo de continuidade daquela tarefa civilizadora, iniciada há muitos anos atrás, pelos colonizadores. Um desdobramento tropical, uma vertente dessa civilização européia e branca.

Como não poderia deixar de ser, diversas metáforas de parentesco entre Brasil e Portugal foram construídas, reafirmando a idéia de ideal monárquico, e publicadas na Revista do IHGB.

Projetos de integração das diferentes regiões do Brasil foram financiados pelo imperador, tais como pesquisas, viagens exploratórias, coletas de material em arquivos estrangeiros, entre outros. O Estado Nacional foi o eixo a partir do qual se construiu a história brasileira, produzida “nos círculos restritos da elite letrada imperial.”

Em 1840, Januário da Cunha Barbosa, secretário do IHGB, lançou o desafio de premiar o melhor trabalho que indicasse os caminhos para a elaboração dessa história do Brasil.

O vencedor foi o alemão Von Martius, com a monografia intitulada “ Como se deve escrever a história do Brasil”, cujos detalhes acompanharemos nos próximos posts, após um breve introdutório sobre sua biografia.



Fonte Bibliográfica:

Nação e Civilização nos trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional.
Autor: Manoel Luís Salgado Guimarães

http://www.ihgb.org.br/ihgb.php

Caderno de Viagem


Ao realizar na Bibliothèque Nationale de Paris, pesquisas para a edição de A Missão Francesa, no ano de 2003, os editores encontraram um pequeno cadernos, de 64 páginas, com trabalhos inéditos de Jean-Baptiste Debret. Eram aquarelas e esboços de futuras pinturas, desenhos feitos às pressas, que imortalizaram breves espaços temporais das ruas do Rio de Janeiro no início do século IXX.

Revelavam as primeiras impressões desse viajante francês em terras brasileiras, seu encontro com os africanos de diversas etnias, seu espanto perante a luz dos trópicos, que acabou por modificar sua técnica, cunhada no estilo neoclássico.

A primeira menção a este Caderno de Viagem ao Brasil, foi feito por Mario Carelli, no ano de 1987, em seu livro” Brésil, épopée métisse” , mas não oferecia ao leitor nenhuma ilustração.

A publicação do caderno, segundo os próprios editores é mais uma fonte para um “assombroso cotidiano, que era, ao mesmo tempo, pitoresco e cruel.”


Agora deixo o leitor com algumas poucas fotos que fiz do próprio livro, e sugiro aos amantes das artes, da história e da literatura que adquiram essta pequena jóia, para compor seu acervo pessoal.





domingo, 18 de setembro de 2011

Jean Baptiste Debret



Nascido em Paris no ano de 1768, filho de um funcionário público, desde cedo recebeu o incentivo do pai para instruir-se, tendo dedicado-se desde cedo à pintura.
Debret, à exemplo de seu primo, o pintor neoclássico Jacques-Louis David, também  retratou as passagens da vida e feitos heróicos de Napoleão Bonaparte.
Com a queda de Napoleão, em 1815, reestabeleceram-se os laços diplomáticos entre Portugal e França. Convidado pela corôa portuguesa a participar da missão artística francesa e lecionar na Academia Imperial de Belas-Artes do Rio de Janeiro, Debret desembarca no Brasil no no de 1816, para  formar novos artistas e incrementar a cultura de uma nação que começava a desabrochar.
Mas foi além. Não bastou para Debret ser reconhecido como o principal pintor da monarquia. Suas gravuras acabaram por tornar-se importantes fontes para os modernos historiadores, devido a particularidade do artista em privilegiar os aspectos populares de nossa cultura. Buscou figurar em suas obras os costumes dos homens simples, dos escravos, das religiosidades, ainda que conservasse em suas aquarelas resquícios neoclássicos, tais como paisagens mitificadas e alguns personagens heróicos.
Com seu olhar de estrangeiro curioso, de pesquisador, buscou colecionar cenas para a elaboração daquela que seria a grande obra de sua vida. De volta à Europa, após viver 15 anos no Brasil, o artista publicou "Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil", em que textos de sua autoria acompanhavam as famosas gravuras.














Fonte de Pesquisa:
http://www.historianet.com.br/

Fotos do google images.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Queridos amigos e leitores,
Gostaria de me desculpar pela ausência, mas foi por uma boa causa. Precisei dedicar todo o meu tempo livre em escrever, com alguma coerência, meu anteprojeto de pesquisa para concorrer a uma vaga de mestrado.
Torçam por mim e em breve continuarei com os textos historiográficos!
Bjs!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Rugendas


Johann Moritz Rugendas foi um pintor alemão,integrante da missão cientifica do barão de Langsdorff, que durante o período compreendido entre 1822 e 1825, viajou pelo Brasil, no intuito de pintar nossa fauna e flora, e deparou-se com uma natureza de dimensões inimagináveis, difícil de classificar e documentar, pois segundo suas memórias, não fazia parte da parcela conhecida do mundo civilizado, por tanto tempo escondido deste, pelas práticas protecionistas portuguesas.

Acabou registrando os costumes, o cotidiano de uma população que acreditava carecer de civilidade. Seu olhar estrangeiro era de curiosidade, de estranhamento, de distanciamento, mas com ironia, com graça.
A paisagem rural e urbana faziam pano de fundo para os verdadeiros atores, que eram os brasileiros, os mestiços, construindo esse cenário político e cerimonial da corte portuguesa nos trópicos.


Roda de capoeira (1835):




Capitão do Mato (1833):


Indios em uma fazenda em Minas Gerais (1834):



Alguns anos depois, no ano de 1831, já tendo publicado suas memórias, em um livro chamado”Viagem pitoresca ao interior do Brasil”, Rugendas empreende viagens a outros países da America, tais como México, Chile, Argentina, Peru e Bolivia. Em 1845, regressa ao Brasil, onde é convidado pela família real a participar de uma Exposicao Geral de Belas Artes, deixando importantes documentações pitóricas dos negros e índios, das plantas e das vilas urbanas.

Pressionado por questões financeiras, acaba cedendo suas obras para o acervo do rei da Baviera, em troca de uma pensão vitalícia.

A Expedição Langsdorff


Langsdorff foi um médico alemão naturalizado russo, nomeado pelo czar Alexandre I, cônsul na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1813.

Montou e liderou uma expedição científica, patrocinada pela Rússia, para percorrer o interior do Brasil e desbravar suas florestas. Pretendia retratar a fauna, a flora, os minerais, os aspectos geográficos, etnográficos e os costumes deste país considerado exótico que iniciava seus primeiros passos no cenário internacional.

Com o álibi de estreitar laços entre o Brasil e a Rússia, Langsdorff agiu como um verdadeiro espião de seu governo, buscando aqui produtos que pudessem ser exportados e enviados à seu país, visando os interesses econômicos russos. Diversas amostras de nossas riquezas seguiram para o exterior, dando-se a conhecer.

A expedição foi iniciada no ano de 1824, tendo como participantes não apenas cientistas mas também artistas, cujos nomes que se tornaram referência na documentação do Brasil em seus primeiros anos de império, tais como Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay, Hercules Florence entre outros. Percorreram o interior de Minas Gerais e de São Paulo.

Durante o percursso, Langsdorff escrevia minuciosamente em seus diários, fartamente ilustrados, com os anexos de pinturas aquareladas. Muitas são as dificuldades encontradas para dar conta dessa missão. Enfrenta desde conflitos internos, durante os quais, Rugendas abandona a missão levando consigo todas as suas obras, além das doenças tropicais que acabam por abater a maioria dos integrantes. Taunay morre afogado em um dos rios, durante a missão. O próprio Rugendas perde sua lucidez, acometido por um mal até hoje desconhecido.

Todo o material coletado é enviado a Russia e permaneceu em segredo por aproximadamente um século, guardado à sete chaves nos porões do museu do Jardim Botânico de São Peterburgo. Tratava-se do famoso diário de bordo, bem como 120 aquarelas, além de 36 mapas.

O diário de Langsdorff foi publicado pela primeira vez no ano de 1997, pela editora Fiocruz.

As missões culturais e seu legado

Dom João VI instituiu diversas medidas para incentivar a cultura  e a educação no Brasil-colônia que acabava de se tornar a sede do governo português.

A vinda de missões culturais foi uma delas, compostas principalmente de cientistas e artistas alemães, franceses e austríacos. Desta forma, não é de se estranhar que a influência da cultura européia tenha permeado durante todo esse período e se intensificado ainda mais com a chegada da Missão Artística e Cultural Francesa, no Rio de Janeiro, em 1816.

Foram integrantes dessa Missão: Jean-Batiste Debret , Auguste de Saint-Hilaire, Auguste-Marie Taunay, Nicolas-Antoine Taunay, que pintou a gravura abaixo, entre outros.



Posteriormente, ainda no século XIX, mais artistas vieram aos trópicos, atraídos por seu exotismo, sua luz favorável às pinturas, sua diversidade de tipos culturais. Todos eles contribuíram para a documentação histórica desse período, providenciando as imprescindíveis fontes primárias que fundamentaram posteriores pesquisas a respeito da construção de nossa identidade cultural.
 Entre eles, o Austríaco Thomas Ender, que como parte integrante da comitiva de chegada da princesa Leopoldina da Áustria, futura Imperatriz brasileira, retratou paisagens e cenas das províncias de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.



Com ele, nesta mesma comitiva, vieram também o botânico Carl Friedrich Philipp Von Marthius, que deixou no Brasil um importante trabalho, pioneiro na historiografia brasileira (que trataremos mais adiante ) e o zoólogo Johann Baptist Von Spix .

Três anos mais tarde, chega ao Brasil a Expedição Langsdorff, e com ela o desenhista, pintor e documentarista Johann Moritz Rugendas, que também merecerá uma postagem separada.



Fonte:

Enciclopédia do Estudante, Vol.16; pg 74 - História do Brasil- Das origens ao Século XXI, Ed Moderna,2008.

Fotos:

Aspectos da rua Principal do Rio de Janeiro:  http://www.dezenovevinte.net/bios/bio_te.htm

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Olhares dos primeiros viajantes estrangeiros sobre o Brasil

No ano de 1808, a família real portuguesa chegava ao Brasil, fugindo da invasão de Napoleão Bonaparte. Lembramos dos livros escolares que a primeira coisa que fez o imperador foi "abrir os portos às nações amigas", que naquele determinado momento histórico significava a Inglaterra, que os protegeu e escoltou em troca de um novo mercado consumidor para seus produtos...
Com a abertura dos portos, inúmeros visitantes estrangeiros estiveram por essas terras, e não puderam deixar de registrar suas impressões.
Uma das abordagens mais curiosas a respeito da análise de tais documentos, reside justamente na visão muitas das vezes equivocada, que os estrangeiros tinham a respeito de nossa terra, os estudos dos imaginários destes viajantes.
Textos cheios de espanto, de colocações preconceituosas, já que o estilo de vida europeu era tido como modelo de civilidade.
Em uma época em que a grande maioria da população era analfabeta, tais relatos foram de fundamental importancia, pois guardaram para a posteridade as descrições do que aqui havia, do modo de vida, do cotidiano, da geografia, principalmente descrições topográficas, além dos desenhos detalhados, das amostras de fauna e flora tropicais, tidas como exóticas.
Lá fora tais relatos faziam muito sucesso, inúmeras obras foram escritas, até por pessoas que nunca estiveram no Brasil! Alguns vieram a convite da coroa, em expedições oficiais, outros por conta própria.
Desta época podemos destacar Rugendas, Debret e também Hércules Florence.
Aos poucos, pretendo discutir  no blog a respeito de alguns desses autores.

Cabeza de Vaca


A obra Naufrágios, de Dom Álvar Nunez Cabeza de Vaca, se não fosse verídica seria uma excelente obra de ficção.
Relata as aventuras desse nobre viajante, que naufragou próximo à Costa do México,ao sul do atual EUA, no ano de 1527, quando pretendia chegar às "Indias".
Dos 300 náufragos, foi um dos quatro sobreviventes. Viveu em companhia dos índios por oito anos, fazendo-se passar por curandeiro. Junto com seus companheiros,caminhando descalços e nús por mais de 18 mil quilômetros, buscaram inúmeras rotas que fossem um caminho de volta para a Espanha. Passaram pela fronteira entre EUA e México, até chegar ao Rio Bravo, onde seguindo seu curso, conviveram com outra tribo que se dedicava a caça de bisontes, até encontrarem um grupo de exploradores espanhóis que os repatriou.
No ano de 1542 publica sua extraordinária obra, relatando seus feitos. Abaixo, tirado da Wikipédia, o mapa que ilustra sua rota de andarilhos:





Desasossegado, resolve empreender uma segunda viagem à América do Sul, no ano de 1540, como governador do Rio da Prata, onde a partir de Santa Catarina chega até as Cataratas do Iguaçú, e explora o Rio Paraguai. Envolvido em questões políticas, em que defendeu as causas indígenas, acabou preso e enviado de volta à Espanha.
De tão inacreditável, teve sua história recontada por Paulo Markun, atual Presidente da Fundação Anchieta que o considera tão desbravador quanto Cristóvão Colombo.

Veja o que diz o Estadão:


E em seguida, veja o trailer do filme feito sobre ele no ano de 1991:









A carta de Pero Vaz de Caminha (Carta a el-rei D. Manuel)



O primeiro registro histórico do Brasil foi feito pelo escrivão da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha, no intento de comunicar-lhe a chegada à nossas terras e mandar notícias à corte portuguesa das maravilhas que presenciava em terras tupiniquins.
Ufanista, cheia de ilustrações idílicas, a carta traçava a verdadeira visão do paraíso para as mentes de além-mar. Conveniente, dado que naquele momento histórico colonizar essas terras eram uma preocupação de Portugal, na figura do rei D. Manuel.

Este valioso documento, datado de primeiro de Maio de 1500, foi levado a Lisboa pelo comandante de um dos navios da frota, Dom Gaspar de Lemos e perdeu-se no tempo, até ser redescoberta no ano de 1773, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na mesma cidade, sendo publicada em 1817 no Brasil pelo Padre Manuel Aires de Casal. Desfrutemos de alguns trechos:

"Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si. E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. "


"Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. "
A carta é breve e vale muito a pena ser lida na íntegra. Para quem se interessar, leia aqui:

http://www.superdownloads.com.br/download/185/livro-carta-de-pero-vaz-de-caminha/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Historiografia brasileira

Poucos assuntos me cativaram tanto ultimamente, quanto a formação de nosso discurso historiográfico. A construção de nossa história, pela visão de diversos autores, de diversas correntes é mesmo muito interessante. Por que estudamos o que estudamos? Quem escreveu a história do Brasil? Com que intenção?
Em que contexto político?
Apesar do pouquíssimo tempo disponível, não me importei nem um pouco em dedicar minhas horas livres a diversas leituras, algumas obrigatórias para a faculdade, outras por minha conta, no intuito de melhor compreender tais questionamentos e ilustrar algumas colocações.
Nos próximos posts, pretendo resumir algumas dessas ricas discussões e  recomendar algumas leituras, para aqueles que também tiverem interesse no assunto.

Sofitel Hotel- Life is Magnifique




Esta campanha publicitária da rede Accor está entre minhas favoritas. Belas imagens, que levam nossos pensamentos a lugares exóticos e sofisticados. Remetem às férias de sonho, perfeitas, impecáveis, ambientadas em luxuosos paraísos terrestres .
O fotógrafo inglês que ilustra esta campanha chamada "A vida é Magnífica "chama-se Tim Walker. Para resumir o trabalho deste artista, podemos dizer que ele detem referências de Lewis Carrol e Guy Bourdin. Seus ambientes possuem decoração misteriosa, algumas vezes fantasmagóricas, tomadas de um glamour fora dos padrões convencionais, modelos apresentadas entre poses provocantes ou envolvidas em situações extraordinárias. Todas as suas fotos foram feitas sem o uso de efeitos especiais. Um trabalho realmente incrível! A minha favorita é a da árvore de doces...
A modelo francesa escolhida para simbolizar a elegância  de seu público alvo, chama-se Aurélie Claudel, e expressa muito bem o charme e a sofisticação feminina.  Aurélie já foi retratada pela Cosmopolitan (Nova), Vogue, Elle, entre outras revistas, além de ter desfilado para a maioria dos designers de moda considerados de primeira linha.

Fonte: Site do Sofitel Hotel, descricionário no Youtube.

domingo, 10 de julho de 2011

Uma Noite Árabe em Corumbá

No dia 09 de Julho, aconteceu no Centro de Convenções de Corumbá a terceira noite árabe, festa que está se tornando tradicional nesta cidade, que conta com uma das maiores comunidades de descendentes de árabes, palestinos e turcos.



A organização foi impecável, com algumas senhoras trajando suas belas vestes , a mesa de antepastos ficou permanentemente servida com os tradicionais pratos, que depois foram substituídos pelo jantar preparado pelo Buffet Humaitá.





Os patrocinadores do eventos foram presenteados por com uma caixa contendo um pequeno narguilé. Simpático e charmoso!



Mas o ponto alto da festa foram as danças. Não ficaram limitados apenas às danças do ventre, por sinal lindíssimas, mas também houveram as danças masculinas, que contaram com a participação de inúmeros presentes.














Uma noite memorável, que esperamos que se repita muitas e muitas vezes!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Principais conflitos

De uma forma bem didática, podemos enumerar os quatro principais conflitos que ocorrem no Oriente-Médio:

Israel e Palestinos:

As tensões criadas desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, acarretam ainda hoje ameaças de cisão no território, que já está parcialmente dividido por regiões descontínuas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Atualmente, há um novo conflito na região entre os dois principais grupos palestinos. De um lado, o Fatah (favorável ao entendimento com os israelenses) e Hamas (organização mais radical que sustenta a destruição de Israel). As divergências entre as duas facções chegaram ao conflito armado, que resultou na divisão do território; atualmente, o Fatah domina a região da Cisjordânia, enquanto o Hamas controla a Faixa de Gaza.

Ocupação do Iraque:

Dede 2003, a coalizão comandada pelos EUA e pelo Reino Unido ocupou a região, que atualmente vivencia uma situação de guerra civil entre sunitas e xiitas, com conflitos e atentados suicidas quase diariamente. Há a estimativa de que, desde 2006, ocorram por mês 3 mil mortes causadas pela violência. A situação dos refugiados no Iraque, segundo dados da ONU, já representa um deslocamento de pessoas maior que o desalojamento dos palestinos quando da criação do Estado de Israel.

A derrubada do regime de Saddam Hussein pelo governo norte-americano, teve a finalidade de instaurar um regime democrático na região, mas inúmeros obstáculos podem surgir, inclusive relacionados à própria cultura local que não está familiarizada com a dissociação entre Estado e Religião.

Irã e suspeitas de ameaça nuclear:

A república islâmica do Irã sofre pressões por parte da ONU para que interrompa o seu programa de enriquecimento de urânio, processo que, se realizado com finalidade pacífica, está em conformidade com as normas e tratados internacionais. Se por um lado o governo iraniano, recentemente empossado sob a acusação de ter fraudado as eleições, garante que o processo é realizado para fins pacíficos, por outro, as grandes potências mundiais desconfiam e temem que a real finalidade seja a construção de armas atômicas.

Tensões entre Síria e Líbano:

Líbano e Síria estiveram por muito tempo ligados. A Síria dominou o Líbano por 30 anos e atualmente é acusada de sustentar o Hezbollah, partido político islâmico devidamente legalizado no Líbano, como uma forma de interferir na política libanesa. Em 2006, o Líbano sofreu um ataque violento por parte de Israel, visando atingir o, Hezbollah que é visto pelos EUA e por Israel como um grupo terrorista. Para os EUA, também o Irã estaria ligado à organização terrorista apoiando o Hezbollah. Atualmente uma paz aparente tem se apresentado, mas não se sabe até quando.

O Oriente Médio e o conflito Árabe-Israelense

A diversidade dos povos daquela região talvez seja a grande problemática a ser resolvida na busca da paz. Os povos são basicamente judeus, árabes, turcos, persas e curdos e a maioria segue o Islamismo como religião.
Dentro do Islamismo existem diversas vertentes – seitas – algumas bastante radicais.

 A xiita – considerados mais radicais e em algumas regiões, como o Iraque (entre 60 e 65% da população é de xiitas).

A sunita – corresponde à grande maioria da população (mais de 85%), considerados mais ortodoxos, crêem na legitimidade dos quatro califados que sucederam o profeta e em seus ensinamentos, nem todos parentes de Maomé, que teriam dado origem ao povo. Também diferem quanto à vinculação do líder político à religião: para os xiitas, o líder político deve ser um enviado de Deus, enquanto os sunitas não fazem esta ligação.Os xiitas crêem que após a morte do profeta, apenas o seu primo e genro Ali seria seu sucessor legítimo, sendo o primeiro califa muçulmano, cujos descendentes (também parentes do profeta) teriam originado o povo da região.

Após a morte do profeta, um Cisma foi criado dividindo os fiéis em dois grupos: os sunitas e os xiitas, que divergem quanto à ascendência do povo muçulmano.

Os Curdos: São um grupo étnico originário da região do Curdistão, hoje dividida entre Iraque, Irã, Síria e Turquia, que representa o maior grupo étnico sem Estado no mundo. Sofreram enorme repressão durante as últimas décadas no regime ditatorial de Saddam Hussein. Após a derrubada do regime, ganharam maior autonomia e reivindicam a criação de um estado próprio.

Se não bastassem os enfrentamentos religiosos, outros fatores contribuem para aumentar a tensão no Oriente Médio.
O petróleo, abundante em terras árabes é amplamente utilizado como fonte de energia nos países amplamente industrializados, gerando guerras e conflitos constantes nessa região, desde a criação do Estado de Israel, quando os árabes foram expulsos da Palestina e com a formação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Tal conflito, iniciado em 1948, um dia após a independência de Israel, já deu origem á inúmeras guerras. Em 1975, houve a guerra do Líbano, em 1980, a guerra Irã-Iraque, em 1990, a Guerra do Golfo, quando o Iraque invade o Kuwait.

sábado, 18 de junho de 2011

Amor- Poema árabe

Quando o amor o chamar

Se guie

Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados

E quando ele vos envolver com suas asas

Cedei-lhe

Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos

E quando ele vos falar

Acreditai nele

Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o

jardim

Pois da mesma forma que o amor vos coroa,

assim ele vos crucifica

E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento

Trabalha para vossa poda

E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros

que se embalam ao sol

Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra

Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração

Ele vos debulha para expor a vossa nudez

Ele vos peneira para libertar-vos das palhas

Ele vos mói até extrema brancura

Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis

Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete

divino

Todas essas coisas o amor operará em vos para que conheçais os segredos de

vossos corações

E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino

Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor

Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do

amor

Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos

E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas

O amor nada dá, se não de si próprio

E nada recebe, se não de si próprio

O amor não possui nem se deixa possuir

Pois o amor basta-se a si mesmo

Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'

Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'

E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar

dignos determinará ele próprio vosso curso

O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude

Se contudo amardes e precisardes ter desejos

Sejam estes os vossos desejos

De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a

noite

De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada

De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor

E de sangrardes de boa vontade e com alegria

De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de

amor

De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor

De voltardes pra casa à noite com gratidão

E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado

E nos lábios uma canção de bem-aventurança.


Extraído do site:
http://www.tendarabe.com/categoria/cultura/arte/literatura/poesias

A Cultura Islâmica

Os árabes assimilaram diversos elementos culturais dos povos vencidos, convertidos ao islamismo por força das batalhas, tais como persas, sírios, bizantinos do Egito, muito embora mantivessem uma unidade linguística, através da qual era possível ler o Livro Sagrado.

Tolerantes, disseminaram os pensamentos dos filósofos gregos, que devido ao paganismo a eles associado pelo cristianismo primitivo, eram ignorado na Europa nos séculos anteriores á invasão árabe.

Quando os Cristão tomaram a Cidade de Toledo, encontraram inúmeras traduções de Aristóteles a quem dedicavam especial apreço, e as disseminaram pela Europa. A ssim, foi através das traduções árabes que o mundo europeu tomou conhecimento dos fundamentos filosóficos gregos, cuja influência bastou para desenvolver o gosto pela filosofia.

AL Kindi, foi o primeiro grande filósofo árabe, no século nove, considerando-se neoplatônico.

Ibn Sina, mais conhecido como Avicena, introduziu no século dez a indução na filosofia e realizou estudos de psicologia que vieram a influeinciar Santo Tomas e Albert Magnus.

Ibn Rush, transmitiu no século doze as idéias aristotélicas ao mundo ocidental europeu, através da aceitação da doutrina da dupla verdade religiosa e espiritual.

Quanto à literatura, em especial a poesia, era amplamente cultivada pelos árabes. Seu mais célebre escritor foi Omar Khayam, que também era exímio conhecedor de álgebra.

Igualmente popular, até nossos dias, é o livro das Mil e Uma Noites, escrito na época do califa Harun AL-Rachid, como um apanhado de contos diversos, tais como Sinbad, O Marujo, Aladin e a Lâmpada Maravilhosa, Ali Babá e os quarenta Ladrões, apenas para citar os mais conhecidos.

Os árabes também empenharam-se nos estudos da trigonometria, bem como outras ciências como a Medicina, a Química, a Astronomia, a Otica. Entretanto, sua ciência estava submetido ao ensino da religião islâmica, não podendo desenvolver-se livremente. Desta forma, buscaram o fantástico por meio de pesquisas cientificas, tal como desenvolver a pedra filosofal através da química ou traçar o destino humano através dos astros.

Os numerais, por nós conhecidos como algarismos arábicos, tiveram provavelmente origem hindu, mas foram por eles desenvolvidos.

Bons navegadores , Utilizaram-se da bússula chinesa, desenvolveram o astrolábio e foram grandes geógrafos.

Através de seu comércio, fizeram a ligação do Oriente com a Europa por via marítima e por meio de suas caravanas, trocando mercadorias diversas, tais como tecidos, especiarias, escravos, porcelanas , entre outros.

Trouxeram do Egito as técnicas de irrigação e as empregaram na Espanha, tornando-se bons agricultores.

Foi na arquitetura , No entanto, que se verificou a maior expressão artística e o grande legado árabe, já que em outras formas de arte, tal como a pintura, viram-se restritos pela proibição do Alcorão em representar figuras humanas e de animais. Esmeraram-se, porém, nas figuras geométricas, cohecidas como arabescos.

A Divisão do Império Árabe

No ano de 750 chegou ao fim a dinastia Omíada com o assassinato de seu último califa, e inúmeros familiares, por seus opositores abássidas, que fundaram uma nova dinastia e fundaram a capital Bagdad. Um dos membros da família da antiga dinastia, conseguiu refugiar-se na Espanha, tornando-se líder político e estabelecendo sua capital em Córdoba.

Deste modo, o Império árabe dividiu-se, tendo sua unidade política repartida, cujas influencias nos campos sociais, político e econômico fizeram-se sentir. Tais divergencias ampliaram-se de tal forma que diversas outras dinastiais e capitais foram criadas no século dezesseis.

Tendo conhecido a glória e alcançado todo seu esplendor no final do século oitavo, quando inúmeras obras literárias tais como o livro das Mil e Uma Noite, foram criadas, no ano de 1053, o califado de Bagdad foi conquistado pelos turcos selúcidas, originários do Turquestão.

Em principio mercenários, esses turcos converteram-se ao islamismo e promoveram uma série de guerras no Oriente Proximo, tornando-se uma verdadeira ameaça para a Cristandade e originando a reação conhecida como As Cruzadas.

Com a tomada de Bagdad pelos mongóis em 1258, chegou ao fim a dinastia selúcida.

No que diz respeito ao califado Omíada que havia se estabelecido em Córdoba, esta tornou-se uma importante cidade, chegando a alcançar 500.000 habitantes , completamente independente em relação aos muçulmanos do oriente . Manteve relações com o Império Bizantino e com o Império Romano –Germânico, extinguindo-se no ano de 1031, com a deposição do último califa, quando dividiu-se em pequenos reinos denominados Taifas.

Sevilha, Valença, Granada, Saragoça, Badajoz, Málaga e Almeria foram importantes reinos, no entanto, tal divisão favoreceu a Reconquista Cristã, através de inúmeras batalhas travadas entre cristãos e muçulmanos. Acabaram totalmente subjugados pelo reino de Aragão e Castela, no século quinze, após a tomada de Granada, última fortaleza muçulmana a cair, em 1492.

A expansão do Islã

Maomé não deixou descendentes homens, portanto foi Abu Bekr, seu sogro quem governou,como califa(substituto) após sua morte, como chefe religioso, militar e político, prosseguindo com a expansão de seus ensinamentos em direção ao norte.


No ano de 634, Omar assumiu e poder e iniciou a primeira fase da expansão islâmica, conquistando, por meio de sangrentas batalhas ,a Palestina, a Siria, Damasco, Jerusalém, Antioquia, além da planície a oeste do Rio Tigre e a MesopoTamia .Chegou em Alexandria e continuou até Cirenaica. Em todos os territórios ocupados fundou bases militares e estabeleceu famílias, no intuito de preservar os ensinamentos sagrados e a pureza da raça.

Em 644, assumiu Otmã e continuou uma segunda fase dessa expansão, embora com menor ímpeto, até o norte da África, tomando o Egito, chegando até às proximidades da Península Itálica. Na Ásia menor, conquistou a Ilha de Chipre.

Em 656, assumiu Ali, neto do profeta Maomé, cujo califado foi bastante conturbado devido a divergências internas, que culminaram num cisma islâmico (chiismo).

Após o califado de Ali, os demais governantes são opositores de seu governo, oriundo da dinastia dos Omíadas, fundada pelo governador da Síria. Tal dinastia, reinou de 661 a 750, teve como capital Damasco e inseriu transformações radicais no legado de Maomé, transformando monarquia de cunho sacerdotal e patriarcal em monarquia leiga e nacional, de tal forma que tornou-se centralizada e hereditária.

Desta forma, a expansão Islâmica alcançou pontos extremos, desde o Rio Indo até a Espanha, cruzando o Gibraltar em 711, sob o domínio de Tarik, que derrotou os visigodos e cruzou os Pinineus . Foi derrotado por Carlos Martelo na batalha de Poitiers, em 732, ao tentar dominar o reino dos francos. Tal vitória foi decisiva para conter o avanço dos árabes sobre os domínios cristãos a oeste. Já a leste , o islamismo também foi contido, na Asia Menor pelo Imperador Leão lll, muito embora tenha havido grandes perdas territoriais para o Império Bizantino, com a expansão Omíada.

As campanhas militares levaram a religião muçulmana por uma enorme extensão territorial, que ia desde a Asia até a Europa Ocidental. Muito embora não tenham conseguido dobrar a resistência Bizantina no mar, devido à superioridade da marinha de Constantinopla, os árabes conseguiram o controle das rotas comerciais para a India e a Ásia Central, com a conquista do Império Aquemênida (Pérsia). Conseguiram, portanto, a hegemonia econômica no mediterrâneo.

O surgimento do Islã

Nos primórdios das civilizações, na grande península situada entre O Mar Vermelho, o Oceano Indico e o Golfo Pérsico, viviam tribos de origem semita, que se dedicavam ao pastoreio, à agricultura e ao comércio. Tais tribos eram independentes e estabelecidas sobre pilares familiares.


Eram politeístas e tinham como centro religioso comum a cidade de Meca, onde havia uma pedra negra, caída do céu, provavelmente um meteorito, digno de veneração, guardado na Kaaba, o santuário local.

O islamimo surgiu na região arábica, atual Arábia Saudita, no ano de 622, tendo no profeta Maomé , descendente direto de Abraão, seu fundador.

Acreditando no monoteísmo, lutou para converter a Arábia à sua fé, agindo como um líder espiritual e político. Maomé entendeu que a unificação religiosa era necessária para fortalecer os laços entre as tribos.

Meca, além de centro de peregrinação para a adoração da Caaba, era um importante entreposto comercial entre a Arábia e terras ocidentais tais como India e China.

No ano de 622, ainda no início da formação do Corão, Maomé e um pequeno grupo de seguidores foram perseguidos por grupos rivais, comerciantes, por defender os interesses de uma parcela da população menos favorecida, sendo obrigados a deixar a cidade de Meca rumo a Medina (Iatreb).

A migração, até hoje venerada e conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano.

Em Iatreb, a palavra de Deus revelada ao profeta Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado, sendo que nos dez anos que separam sua fuga e sua morte em 632, Maomé converteu a maioria das tribos árabes, muitas vezes usando a força dos exércitos que formara, impondo aos convertidos, inúmera leis cívicas e morais, reunidas no livro sagrado denominado Alcorão ( O Discurso), que prometia aos bons fiéis o paraíso de Alá.

Na ocasião da morte de Maomé, a maior parte da Arábia já era muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China.

Na virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3 bilhão de adeptos.


As fontes que utilizei para a pesquisa deste e dos próximos posts que tratarão do mesmo assunto, divulgo, de antemão, aqui:

História Geral do Ocidente, Antonio Luiz Porto e Albuquerque.-Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1985. 294p.:Il.

Novo Manual Nova Cultural, 1993 Editora Nova Cultural Ltda.-São Paulo-Brasil.

Além de busca nos sites:
http://www.islam.org.br/
veja.abril.com.br-idade-exclusivo-islamismo-contexto_analise.html

Islã/ Islamismo

Em árabe, Islã é uma palavra que significa submissão ou rendição, no caso, do muçulmano para com seu Deus, denominado Alá ou Allah. Também tem ligação com a palavra Salam, que significa paz.


Seria correto, portanto, afirmar que o Islã não é uma religião, mas o conjunto de povos de civilização islâmica que professam tal religião.

Quando usamos o termo islamismo, estamos nos referindo a religião fundada no início do século sete pelo profeta Maomé. O seguidor do islamismo seria o muçulmano, ou islamita.

Para conhecer o Islamismo

Alguns e-mails que tenho recebido, talvez motivados pela atual questão do Oriente Médio, me deixaram um pouco apreensiva. Isto porque são altamente preconceituosos, e demonstram uma total falta de informação a respeito da religião alheia. Muitos temerosos de que a grande quantidade de imigrantes desta religião acabem por promover a balbúrdia e uma verdadeira revolução de costumes e da ordem social nos países que os acolhem. Acusam o Islã de tentar, através da religião, arquitetar uma tomada do poder, deliberadamente, a nível mundial.
Tais previsões estariam corretas? Antes de julgar, deveríamos tentar voltar nossos olhos para o passado, pois apenas através de um pouco mais de estudo, encurtaremos o caminho para romper esses laços de distanciamento, como se o que hoje ocorre no mundo, não fosse da nossa conta, uma vez que não acontece na nossa porta.
Para formar nosso próprio juízo de valor,  proponho uma viagem juntos ao passado, para conhecer melhor as origens dessa religião, despidos de qualquer julgamento, pois como já coloquei anteriormente aqui, todas as religiões que promovem o amor e a paz, levam à Deus.
Devemos estar atentos, no entanto, às suas deformações, às suas más interpretações, que muitas vezes servem apenas como instrumentos de domínio político. Mas que devem ser diferenciadas de sua verdadeira essência.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Stranger In Paradise

Minha contribuição para o dia dos namorados: esta canção que também fez parte da trilha sonora de O Fantasma da Ópera!

Take my hand
I'm a stranger in paradise
All lost in a wonderland
A stranger in paradise
If I stand starry-eyed
That's the danger in paradise
For mortals who stand beside an angel like you

I saw your face and I ascended
Out of the commonplace into the rare
Somewhere in space I hang suspended
Until I know there's a chance that you care

Won't you answer this fervent prayer
Of a stranger in paradise?
Don't send me in dark despair
>From all that I hunger for

But open your angel's arms
To this stranger in paradise
And tell him that he need be
A stranger no more




-from the musical "Kismet"-based on Borodin's "Polovtsian Dances"
-Words and Music by Robert Wright and George Forrest


domingo, 5 de junho de 2011

I MUSICI VENEZIANI



Para fechar com chave do ouro nossa estadia na cidade de Roma, eu e minha mãe resolvemos assistir à Opera Concerto apresentada pela orquestra e cantores I Musici Veneziani, trajados à moda do século XVIII. A Apresentacão foi na belíssima Chiesa Di San Paolo Entro Le Mura, que fica na Via Nazionale, 16 A.
Desfrutamos de árias de algumas obras de Mozart (Don Giovanni), Rossini (Il Barbieri di Siviglia), Bizet (Carmen), Puccini (Tosca) e Verdi (Nabucco).



E a Igreja foi uma atração à parte, com seus belos mosaicos dourados de clara inspiração bizantina.
Para quem estava voltando de uma viagem à antiga cidade de Constantinopla, foi perfeito!

Assistam e compartilhem também um pouco dessa beleza:

Venus Victrix (1805-1808)



Essa escultura, que representa Pauline, a irmã de Napoleão Bonaparte, no auge de seus 25 anos, ainda envolta pelo esplendor imperial de seu irmão, acabou tornando-se o cartão de apresentação da Galleria Borghese em Roma.

A escultura foi encomendada por seu noivo, Camillo Borghese, em um casamento arranjado que pretendia fortalecer os laços entre a França e o Estado Papal. No entanto, o casamento faliu antes mesmo da obra ser concluída.
O autor da obra, Canova, representou como personagens mitológicos diversos outros familiares do imperador.

Nestra obra, especificamente, Pauline representa Vênus, a vencedora, que segura em sua mão esquerda, o pomo de ouro que recebeu de Paris, após a famosa disputa entre deusas que já tratei anteriormente aqui no blog (ver: A Mitologia por detrás da história).
Parcialmente nua, reclinada em uma chaise, repousa seu braço direito em uma pilha de colchões, exibindo um único ornamento: um delicado bracelete.


Concebida para ser alvo de admirações, a escultura recebeu em 1812, um mecanismo que permitia sua rotação, para ser apreciada dos mais diversos ângulos. A perfeição dos detalhes são a prova do sublime talento de Canova, o que não livrou Pauline do escândalo da corte.
Detalhes da obra:
A escultura foi toda feita de um único bloco de mármore Carrara. Já a chaise longue em que ela se reclina, é feita de madeira pintada de azul e branco.
O dourado das rosetas, folhas e do golfinho, que adornam a chaise, são provenientes de folhas de ouro. A coroa de louros é um típico símbolo da era napoleônica, enquanto que o golfinho faz referencia à deusa Vênus.

Fonte Bibliográfica:
Galleria Borghese 10 Masterpieces.
2009, Gebart S.p.A, Roma.

Gian Lorenzo Bernini




Abalada com a crise da Reforma, a expressão do barroco buscou restaurar o antigo esplendor da Igreja Católica Romana. Colunas adornadas, esculturas e pinturas triunfantes, que retratavam temas bíblicos com a devida dramaticidade.
Um de seus representantes, no século 17, foi o talentoso escultor Gian Lorenzo Bernini, que também se destacou como arquiteto e pintor. Nascido em Nápoles, em 1598, filho de um renomado escultor, cedo apresentou aptidões para as artes e foi introduzido por seu pai aos principais mecenas da época.
No início, copiava os modelos que via pelos corredores do vaticano ou inspirava-se em Michelangelo, mas com o amadurecimento, acabou por desenvolver um estilo próprio, muito embora, muitas vezes, dizia ter inspirado a temática de sua escultura em alguma obra de Rubens.
Acabou tornando-se o principal representante do barroco italiano, tendo em seu currículo obras grandiosas,tais como a Praça de São Pedro, o Castelo de San Angel e o Baldaquim do trono de Pedro, no Vaticano.

O baldaquim:


A Praça de São Pedro no Vaticano:


Além de inúmeras outras obras, também são de sua autoria três fontes, dentre as várias que adornam a cidade de Roma: a Fonte da Barca, dos Três Rios e do Tritão.
Divido com os leitores uma foto da primeira:

sábado, 4 de junho de 2011

David de Bernini

A versão de Bernini para David, executada entre os anos de 1623 e 1624, em minha opinião, supera em muitos aspectos a conhecida obra de Michelangelo.
Michelangelo presenteou-nos com um majestoso David, após derrotar o gigante Golias. Esplendorosamente esculpido de acordo com os ideais artísticos do Renascimento italiano, reverencia a harmonia das formas humanas, o rosto clássico, de beleza incontestável, nos transmite uma sensação de serenidade e reflexão após o dever cumprido.

Já a versão de Bernini nos intriga pela representação gestual. Suas feições exprimem a tensão frente a um imenso esforço físico.




Seu corpo está recurvado, pronto a lançar a pedra que atinge o gigante Golias na testa. Bernini consegue captar este exato instante.


Aos pés de seu David está a harpa, com a qual ele cantará suas vitórias, e ofertará a Deus seus lindos salmos.


Dica: Vale a pena uma releitura do Antigo Testamento, valiosa fonte de estudos da antiguidade.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Apolo e Dafne

A segunda obra que mais gostei foi Apolo e Dafne, esculpida entre os anos 1622 e 1625 e ocupa sozinha o centro de uma grande sala na Galleria Borghese. A melhor palavra para descrevê-la estaria num meio termo entre a poesia e o encantamento.


Antes de Bernini, nenhum outro artista ousou esculpir a estória de Apolo e Dafne em mármore devido a sua complexidade.

Em seu livro "Metamorfose", Ovídio nos conta do amor de Apolo pela ninfa, após uma certeira flechada de Cupido. Mas Dafne representa a castidade e ao sentir sua impetuosa presença, invoca auxílio divino, transformando-se em uma árvore. Em um loureiro.


O instante dessa metamorfose é representado pelo mestre. A ninfa está transfigurando-se frente ao olhar do expectador e de um perplexo Apolo, em pleno movimento de captura. Seu dorso está parcialmente recoberto pelo tronco de uma árvore, enquanto seus dedos das mãos transformam-se em galhos, seus pés viram raízes e seus cabelos folhagens. O drapeado dos tecidos reforçam a idéia de movimento.


A obra não deixa espaço para moralismos, é eminentemente sexual, inapropriada diria, para decorar a vila do Cardeal Borghese e competir com as inúmeras outras esculturas que adornam a residência.
No entanto, foi considerada como sendo o retrato do triunfo da castidade sobre o desejo...


Em sua base, inscrições de versos latinos de Matteo Barberini a respeito dos prazeres carnais.

Curiosidades a respeito da obra:
A figura clássica de Apolo foi inspirada no famoso Apollo Belvedere dos museus do Vaticano.

Um único bloco de mármore foi utilizado para esculpir as duas figuras e a base. No entanto, Bernini teve um colapso nervoso ao perceber pequenas imperfeições na pedra, que apareceram enquanto ele estava trabalhando. Pequenas manchas escuras podem ser observadas na escultura, uma delas bem notável no nariz da ninfa.

O Rapto da Proserpina

Esculpida entre 1621 e 1622, a obra chama atenção pelo seu tamanho, destacando-se das demais, no centro de uma das salas.



Aproximando-nos, temos a impressão de que não é possível que seja feita de mármore, uma vez que as impressões táteis dos personagens saltam aos olhos. A carne de Proserpina é marcada pelos dedos de Plutão, na tentativa do rapto. Parece macia.


Plutão, figura rude e embrutecida, usa em sua cabeça a coroa de rei do mundo subterrâneo e tem seu rosto empurrado, com força, pela jovem, que se debate.


Suas forcas se contrapõem, dirigindo-se a lados opostos. Seus corpos, seminus, formam dois semi círculos. Aos pés, o cetro de duas pontas. Cérbero, o Cão de três cabeças, que nas obras de Dante Aligheri olha em três direções diferentes, guarda as portas do inferno e funciona como suporte para o grupo.

Bernini retrata a estória contada por Ovídio, em Metamorfoses:
Enquanto Proserpina colhia flores com suas damas de companhia em um bosque, Plutão, rei do submundo, observando sua beleza, fica encantado e resolve raptá-la. Este é o momento retratado pela escultura: Proserpina luta para livrar-se de seu raptor, chora, enquanto pede ajuda às suas amigas e socorro à sua mãe.
Ceres desce aos infernos para buscar sua filha, e acaba por fazer um acordo com Plutão: concorda em permitir que ele fique com sua filha durante seis meses do ano, conquanto que nos outros seis, Proserpina pudesse passar com ela na terra.
Essa lenda representa um mito antiqüíssimo, associado ao círculo da vida, da fertilidade, da mãe terra, das estações do ano.
Quando Proserpina retorna à superfície, a natureza desperta, coberta de flores e frutos. É primavera e verão. Mas as estações são efêmeras, e o escultor faz alusão ao mito da ressurreição, conectando-o ao de Proserpina.
Ao descer ao submundo, a terra volta adormecer, entra o outono e o inverno.
Na mitologia grega, Plutão era Hades e Proserpina, Perséfone.

Observações sobre a obra:
Na base da escultura, versos latinos que parecem ter sido ditos por Proserpina, alertando a respeito da efemeridade das flores da terra.
De acordo com os críticos, Bernini tirou sua inspiração de uma estatueta de Pietro da Barga, sobre o mesmo tema. Há quem diga que foi realmente um plágio...