sábado, 22 de janeiro de 2011

O Cheiro da viagem

Toda viagem tem um cheiro possível:

A do quarto do hotel,

do saguão do aeroporto,

da condução que nos aguarda,

do posto de gasolina,

da bala de fruta comprada ao acaso,

da chuva na montanha ou da maresia,

das panelas sobre o fogareiro,

do sabonete novo,

das roupas recém passadas na maleta esperando para serem usadas,

das pessoas no transporte coletivo,

da moca elegante que nos quer vender algo,

de urina no mercado municipal,

das cerejas e pêssegos expostos ,

do carpete do apartamento,

do cigarro do camarada na mesa ao lado,

de fósforo riscado,

do material de limpeza a base de pinho,

da comida gostosa prestes a ir parar na boca,

de vinho,

de doce,

De papel de embrulho dos presentinhos,

de canja,

de lenha ,

de café passado longe de casa,

de bolo,

dos guardanapos e toalhas de mesa limpos,

de alfazema sobre a roupa de cama,

de paredes muito velhas,

de salas arejadas,

de cortinas de veludo,

de pátios recobertos de folhas,

de museus repletos de obras e pessoas,

de livros empilhados,

da bolsa de couro que trouxemos, vazia,

de ruas com dejetos de animais,

de castanhas assadas,

e de laranjais.

Márcia Taube


P.S:
Para minha próxima viagem já escolhi o cheiro. De acordo com o clima e o que imagino que vá encontrar. Aquele que só será usado por mim nesse momento de viajar. Para que esteja sempre associado apenas a uma única e especial lembrança de vida: Bois d’Orange de Roger Gallet.





                                                  MA-RA-VI-LHO-SO! Bjs!

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